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O cotidiano de quem utiliza o transporte coletivo

Você pode até ter carro e não saber o que significa muitas das situações que irei citar, mas em algum momento da sua vida você certamente teve que recorrer ao ônibus e/ou ao trem. Bem-vindo ao cotidiano de milhares de brasileiros!

Depender do transporte coletivo é aprender lições de coletividade, desrespeito, solidariedade, egoísmo e falta de educação. Todos os dias, a Trensurb dá dicas dentro dos trens – e também no seu perfil no Twitter – sobre boas maneiras de convivência no transporte. Alguns reclamam da repetição, mas acredito que só assim as práticas vão se fixar na mente das pessoas, que passarão a contribuir para um cotidiano coletivo muito melhor.

Veja como identificar alguns perfis existentes nesses espaços:

O sem noção e/ ou tarado: Passar por situações constrangedoras e perturbadoras é algo que ninguém está livre quando depende do transporte coletivo. Vai desde ter que escutar o set list do passageiro que não gosta de usar fones de ouvido, até o assédio – principalmente por parte dos homens – que se aproveitam da lotação do veículo para “tirar uma lasquinha”. Seja como for, o recomendado nessas horas é tentar sair do lugar onde se está e procurar um espaço “mais seguro”. Os “sem noção” costumam chamar a atenção do maior número de passageiros possíveis, por isso você facilmente os reconhecerá, ou melhor, os ouvirá. Já os “tarados” costumam ser discretos, mas conseguem deixar uma única pessoa constrangida por toda a lotação do veículo.

O egoísta: Todo mundo sabe que mochilas, sacolas, malas e bolsas são objetos usados para carregar pertences. Desse modo, não necessitam ocupar os bancos destinados aos passageiros. O incrível é que nos últimos tempos essas bagagens passaram a ter vida própria e ignoram a presença da pessoa que está de pé, a qual espera um assento liberar para poder se sentar. Os egoístas do transporte coletivo costumam dar uma de desentendidos e ignorar a situação, como se não tivesse nada a ver com eles.

O fã nº1: Sabe quando os portões de um show se abrem e os fãs saem correndo desesperados para garantir o lugar na primeira fila do palco? Ou quando eles insistem em passar por lugares que todo mundo tem a certeza que é são intransponíveis? Pois é, assim se comportam muitos passageiros, principalmente os que utilizam trens e ônibus. Se você tem alguma dificuldade em caminhar/correr é melhor esperar os “fãs” sossegarem até entrar no veículo. Os fãs costumam empurrar as pessoas que estão na sua frente e a forçar a entrada no veículo mesmo quando não há espaço nem para mais uma pulga. Certamente você não vai conseguir fugir deles, o melhor a fazer é respirar fundo e manter o equilíbrio.

O espaçoso: Se você pega o transporte coletivo todos os dias é bom manter distância dos espaçosos. Eles não perdoam ninguém. Se você está sentado, será atingido pela bolsa, mochila ou sacola dele na cabeça. Caso contrário, terá seus pés pisoteados ou seu rosto será atingido pelo balanço dos cabelos do folgado. Em algumas situações, você poderá estar sentado e levar um susto ao sentir as páginas de um jornal encontrando a sua testa. O espaçoso costuma ser confundido com o egoísta, mas ao contrário do segundo, geralmente perturba o sucesso alheio e se esquece de pedir desculpas.

O solidário: Segurar a bolsa ou a mochila de um estranho quando você está sentado e esta pessoa de pé, é um ato comum no transporte coletivo. Mais até do que ceder o seu lugar a um idoso ou uma gestante. Parar alguns instantes para dar informações a uma pessoa perdida, também faz parte do manual de boas práticas. Os solidários são difíceis de serem reconhecidos, mas não são sujeitos raros – felizmente.

Se você se identificou com algum perfil citado – sem ser o solidário – está na hora de refletir sobre o seu comportamento nesses espaços. Bons exemplos geram boas atitudes, e fazer parte de um espaço coletivo acarreta no exercício de práticas que contribuem para o bem-estar de muitas pessoas.

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A relação do ser humano com os seus semelhantes é algo realmente complexo. Fiquei pensando sobre essas questões após o dia 17 de maio, que foi o Dia da Solidariedade.

No dia-a-dia somos cercamos por uma controvérsia assustadora, solidariedade de um lado e egoísmo e inveja de outro. Com a chegada do inverno isso fica ainda mais visível. Enquanto diversas campanhas são organizadas para recolher doações de agasalhos e alimentos, algumas pessoas que podem ajudar, simplesmente não fazem a sua parte. Será que falta tempo para retirar o inutilizado do guarda-roupa e do armário da cozinha? Ou será desconhecimento das campanhas? Não e não, é ignorância mesmo.

Considero ignorante não aquele que nada sabe, mas sim, o sujeito que tem todos os meios para se informar e aprender, mas não os utiliza por pura falta de interesse. Infelizmente existem pessoas que só dão valor as coisas materiais e vêem o outro como um inimigo, um estorvo. O pior é que cada vez mais cedo o ser humano vai construindo esse lado escuro.

Às vezes tenho medo do futuro. Vejo crianças que não dividem seus brinquedos. A magia e a felicidade despertadas por esses objetos foram substituídas pelo sentimento de inveja. “O meu é melhor”, “Eu tenho e você não”, “Mas o meu é importado”, essas são apenas algumas frases de pequenos consumistas. Dominados pelo sistema Capitalista, algumas crianças não querem mais o objeto para brincar, muitas vezes ele fica jogando em um canto qualquer, elas o usam para provocar e suscitar a ira dos amigos. E não basta um brinquedo, tem que ser vários e o da última geração.

O que serão destes pequenos? Adultos que só sabem olhar para seu próprio umbigo, esquecendo de valorizar a maravilha das pequenas coisas. Profissionais que não vão pensar duas vezes antes de “puxar o tapete” do colega para ganhar um melhor cargo na empresa. Homens e mulheres solitários e sem bons sentimentos.

Eles nunca vão saber como é a sensação de ficar com os olhos cheios de lágrimas e o coração a explodir ao ver uma criança sorrir quando recebe um simples carrinho ou uma boneca usada. Eles nunca vão receber um “muito obrigado” ao dividir um lanche ou simplesmente por escutar um colega que está com problemas e precisa de um ombro amigo. Eles nunca vão estar rodeados de pessoas especiais que conseguem transformar um dia qualquer em um momento inesquecível.

Se as crianças são o futuro da nação, elas devem saber desde cedo o significado teórico e prático da solidariedade. Todavia, se um adulto ainda não aprendeu o que isso significa já está mais do que na hora de compartilhar e doar.

Caso você queira se tornar mais solidário e menos egoísta não precisa ir longe pra achar pessoas que estão precisando de ajuda, pode ficar sentado no sofá da sua casa. Diariamente homens, mulheres e crianças batem na porta das residências a procura de doações. Sou contra dar dinheiro, contudo acredito que um quilo de alimento ou um blusão não irão lhe fazer falta. É muito triste ver nossos semelhantes deitados nas calçadas da cidade passando frio e fome.

Faça a sua parte e mude esse cenário. Apóie e participe de projetos solidários organizados por ONG’s e prefeituras. Não deixe de praticar a solidariedade. Estender a mão ao próximo é um ato que pode salvar a vida do outro e a sua alma.

Matéria publicada no site Novohamburgo.org