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Um ponto turístico pouco conhecido de Canela

 

A história da evangelizadora canelense que idealizou o Caminho das Graças e mudou a rotina dos moradores de uma comunidade rural.


A manhã de 13 de novembro foi diferente dos demais sábados do ano para a arquiteta Margarida Zanatta Weber, 57 anos. A descendente de italianos estacionou o carro defronte sua loja, localizada na zona rural de Canela, atravessou a rua e se dirigiu à Capela Santa Cecília para verificar os preparativos da tradicional festa da comunidade do Banhado Grande. Solicitada a todo o momento por moradores, tirou dúvidas sobre quantidade de sobremesas e decoração do espaço sagrado.

Margarida Zanatta Weber

Mas até se tornar integrante da associação de moradores do bairro, percorreu um longo caminho. De cabelos loiros e olhos castanhos, Margarida nasceu e cresceu mo centro de Canela. Deixou a cidade aos 18 anos para transformar o hobby por desenho e pintura em profissão. Passou a residir em Porto Alegre e iniciou o curso de Arquitetura na Unisinos. Após a formatura, em 1980, casou e voltou para Serra, agora como moradora de Gramado. Foi através da criação da Oficina de Arte Carochinha, onde oferecia aulas de artes plásticas, canto e teatro para crianças de 2 a 5 anos, que se apaixonou por organizar atividades culturais.

Os sete anos de casamento marcaram o fim do relacionamento e também o fechamento da oficina, obrigando Margarida a voltar a Capital. Enquanto exercia a profissão no escritório montado na própria casa, foi convidada por José Vellinho Pinto, prefeito de Canela na época, para ser Secretária da Cultura entre 1990 e 1992. Depois disso, a vida política nunca a deixou, virou por mais duas vezes secretária de Turismo da cidade.

A mudança definitiva para Canela aconteceu em 2007, mas dois anos antes também comprara um terreno na zona rural do município. Junto com os irmãos Jorge Luiz, 56 anos, e Maria Elisabete, 61, abriu a loja Alecrim e passou a vender artesanatos e santos. A convivência na comunidade revelou algumas precariedades e, em uma missa na Igreja Matriz da cidade, Nossa Senhora de Lourdes a inspirou a ter uma ideia. A religiosidade, herdada da mãe Amélia Luiza, a fez sempre participar de grupos de orações e guardar os domingos para ir à missa.

Era início de primavera do ano de 2006. Na cerimônia religiosa mensal celebrada na capela do bairro Banhado Grande, Margarida apresentou o projeto e nove pessoas se comprometeram a executá-lo. “Disse que daria o santo de devoção de cada família, desde que fizessem um capitel defronte a sua residência. Em uma semana, 45 moradores entraram em contato comigo pedindo um santo. Tive que ir atrás de patrocínio, pois o projeto tomou proporções muito maiores do que esperava”, emociona-se.  No dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, as imagens foram abençoadas e colocadas em cada casa pelo Pe. Edson de Mello, junto com uma placa contendo a data de sua festa e uma oração. Nascia assim, o Caminho das Graças.

Mais de 100 capelas fazem parte do Caminho das Graças

Denésio Pilatti, 64 anos, considerado seu “fiel escudeiro”, ajuda a manter o local. O jardineiro acredita que a ideia de Margarida fez os moradores assumirem um compromisso e se unirem. “Todos moradores orgulham-se do projeto criado pela Margarida”, explica.

Hoje são mais de 100 capelas existentes no trajeto de 7km que liga o parque do Caracol ao da Ferradura, pontos turísticos da região. Os moradores contribuem para a sua preservação e até oferecem frutas e chás para romeiros de todo país que visitam o local.

Contudo, Margarida não quer apenas envolver os moradores no cuidado com o caminho, mas também evangelizá-los “Todo o mês um santo é homenageado e trazemos para a missa algo diferente, como corais e teatros. No início eram 10 pessoas que compareciam, hoje são 80”, declara. A capela é mantida com o dinheiro arrecadado na festa anual do Banhado Grande, organizada pela comunidade.

Entre o trabalho feito na loja, a participação na associação de moradores e as aulas de catequese, continua atuando como arquiteta no centro de Canela. “Inseri-me aos poucos na comunidade e, apesar das dificuldades, a fé sempre me moveu. Todos são chamados para a santidade e o nosso principal papel na vida é fazer a diferença na vida de alguém. Por isso, sei que o Caminho das Graças é de minha responsabilidade até meus últimos dias”.

Perfil feito para a cadeira de Redação Experimental em Revista.

Fotos: Daniela Machado

Idolatria desniveladaO orgulho de ser brasileiro e o amor pelo Rio Grande do Sul são sentimentos característicos do mês de setembro. No dia 7 comemoramos a Independência do Brasil e no dia 20 a Revolução Farroupilha. Mas o que fica mais evidente nestas datas é a preparação que se dedica a cada uma delas.

Fui ao centro de Novo Hamburgo acompanhar o desfile de 7 de Setembro e fiquei decepcionada com o que encontrei. Havia mais bandeiras e panfletos de candidatos a vereador e prefeito do que patriotas desfilando. O brilho do sorriso das crianças ofuscou-se devido à aglomeração daqueles que ali estavam somente para fazer propaganda política. O som em ritmo de marcha ficou abafado pelos jingles. O dia cívico foi desrespeitado mais uma vez.

Atualmente muitas pessoas vêem o dia 7 de Setembro apenas como mais um feriado, esquecendo o seu real significado. E o pior, só lembram que a data está se aproximando devido a algum colega de trabalho que perguntou o que faria no feriado ou quando percebe que os ônibus estão com uma faixa verde e amarelo atravessada no vidro dianteiro.

O amor pela pátria, a alegria de comemorar a independência e o orgulho de ser brasileiro estão sendo esquecidos. Apenas as crianças e alguns idosos se emocionam com o desfile, com a marcha e com as mensagens que são passadas. Em contrapartida, o dia 20 de Setembro é idolatrado pelos gaúchos.

Um mês antes da data os tradicionalistas já estão organizando acampamentos pelo Estado, tertúlias, andando pilchados, ensaiando danças, etc. e tudo regado a muito chimarrão.

As escolas desenvolvem diversas atividades com os alunos na Semana Farroupilha, os motivando a conhecer mais sobre a história do Rio Grande do Sul, a tradição e a cultura. A maioria dos gaúchos sabem na ponta da língua o Hino Rio-Grandense e as tradicionais canções “Céu, Sol, Sul” e “Querência Amada”. Mas se formos falar do Hino Nacional as coisas complicam, dos clássicos da MPB então, o conhecimento é muito baixo.

Precisamos refletir mais sobre a nossa identidade. Cultuamos o local e esquecemos o nacional. E, mesmo assim, as comemorações das festividades locais são lembradas apenas um tempo antes de acontecerem, durante, e quase nada depois. Elas passam praticamente o ano inteiro esquecidas. Claro que isso não acontece para os verdadeiros tradicionalistas, aqueles que fazem parte de um Centro de Tradições Gaúchas, por exemplo.

A falta de incentivo dos pais, a escassez de informações na escola, os novos cultos e modismos que surgem quase diariamente na sociedade, a mídia e tantos outros fatores vão transformando nosso sentimento de pertença e modificando nossos valores.

Ficam as perguntas: Somos gaúchos ou brasileiros? Somos mesmo independentes? Não estamos trocando personagens históricos por novos ícones? Não estamos invertendo os valores destas datas? Estamos transformando a Semana Farroupilha em uma nova data Capitalista?

Cabe a cada um escolher aquilo que mais lhe agrada, mas nunca esquecendo as suas raízes, do orgulho de ser brasileiro e gaúchos. Ter identidade mostra o quanto o sujeito tem personalidade e é único. A sociedade está cada vez mais carente de cidadãos que respeitem a história do país, a cultura e a as pessoas que fazem parte deste solo, da pátria amada chamada Brasil e do nosso querido Rio Grande.

Fotos: Daniela Machado
Opinião publicada no site Novohamburgo.org

Obras devem iniciar imediatamente e levarão 22 meses para serem concluídas

Após muita polêmica e do cancelamento da votação sobre o novo zoneamento ambiental para a silvicultura, o diretor-presidente da Aracruz, Carlos Aguiar, confirmou, na manhã desta terça-feira a construção de uma nova fábrica em Guaíba. Com um investimento de US$ 2,8 bilhões, a nova unidade industrial ampliará a produção das 450 mil toneladas anuais para 1,8 milhão de toneladas no Rio Grande do Sul. A construção da fábrica deve gerar, em seu pico, 7 mil empregos, sendo que 70% serão de pessoas da Região Metropolitana.

As obras devem iniciar imediatamente, e devem estar concluídas dentro de 22 meses. A área de efetivo plantio passará de 75 mil hectares para 164,5 mil hectares, em 32 municípios gaúchos. A empresa também confirmou uma área de 90,6 mil hectares de reserva permanente. Há uma estimativa de que a nova fábrica crie 50 mil empregos na cadeia florestal. O anúncio oficial ocorreu durante solenidade no Palácio Piratini, com a presença da governadora Yeda Crusius.

Aracruz terá centro de tecnologia

Além de confirmar a construção de uma nova fábrica, Aguiar anunciou a criação do Centro de Biotecnologia e Biorefinaria que irá desenvolver formas de aproveitamento de biomassa desde resíduos urbanos até as de origem florestal.

O anúncio ocorre menos de uma semana depois de aprovado o novo Zoneamento Ambiental da Silvicultura. Ele foi aprovado em sessão marcada por discussões entre ambientalistas e integrantes do Conselho Estadual do Meio Ambiente, na quarta-feira passada. O futuro complexo inclui a construção de quatro terminais fluviais.

Notícia retirada do site Zero Hora.