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Muito trabalho pesado para aquele que cuida do conforto e da beleza do que carregamos nos pés.

Cinco da manhã. O despertador emite um barulho repetitivo e ensurdecedor. José abre lentamente os olhos, senta na cama e desliga o frenético aparelho. Após fazer o sinal da cruz e entrelaçar os dedos das mãos, agradece por mais um dia e pede a benção do Divino. Na cozinha a mulher está com a mesa posta e, enquanto aguarda o marido, prepara o lanche das crianças. José senta-se a mesa e toma uma xícara de café passado com duas colheres de açúcar. Enquanto molha o pão com margarina naquele líquido escuro e amargo, organiza mentalmente as tarefas do dia.

Quando os primeiros raios de sol começam a surgir no horizonte e os galos, ainda tímidos, iniciam a sinfonia matinal, José está pronto para iniciar mais uma jornada de trabalho. O doce beijo da esposa sinaliza o momento de partir. A bicicleta Caloi, ano 72, está aposta esperando seu condutor.

As pedaladas lentas e compridas guiam a magrela em direção ao bairro Rio Branco, onde se localiza a fábrica de calçados femininos Requinte. Assim que chega ao seu destino, José fica por alguns minutos parado fitando a velha casa branca. A pintura descascada revela a implacável ação do tempo. Os finos e compridos filetes de rachadura confundem-se com as trepadeiras e, discretamente, dão a volta no antigo casarão. No topo da fachada o ano 1953, que antigamente servia para marcar com orgulho o início de uma grande e próspera indústria calçadista, ainda permanece com ar imponente.

José bate o cartão, cumprimenta os colegas, leva a marmita à geladeira e veste seu guarda pó azul claro manchado de cola.  Já na sua mesa, afia a faca de corte com o charuto de pedra, pega um talão da prateleira do chefe e começa a cortar o couro marrom escuro conforme a referência indicada. Sua função é participar de todas as etapas de construção do sapato.

Da maior para a menor numeração, sempre com a instrução de economizar, ele segue a dança da navalha sobre aquele espesso e duro pedaço de matéria prima. Outros tecidos mais finos entram na fila e, um a um, ganham forma, transformando-se em pilhas de forros e palmilhas.

Por alguns minutos, cai em grande nostalgia ao relembrar o aprendizado do ofício. Seu pai fora sapateiro e tinha um atelier nos fundos de casa. Aos dez anos de idade José começou a ajudá-lo encaixotando os pares de sapatos. Com o passar do tempo, aprendeu a cortar forros e palmilhas. Sempre sendo supervisionado de perto, tomou gosto pelo trabalhou e iniciou os cortes com couro. No ano que completou 16 anos, seu pai se aposentou e encerrou com as atividades no atelier. Foi então que José partiu em busca de emprego.

Naquela época, Novo Hamburgo era considerada a Capital Nacional do Calçado e o Vale dos Sinos uma das maiores regiões coureiro-calçadista do Brasil. Oportunidades de trabalho não faltavam, ainda mais para quem tinha experiência na área. José chegou a ser supervisor de esteira. Mas, desde 2005, a região passa por uma forte crise no setor. Agora, está cada dia mais difícil ser sapateiro.

José está quase se aposentado. Falta só mais um ano, pensa ele, e volta a se concentrar nas suas atividades. Materiais cortados, é hora de serem chanfrados. Agregam-se a eles fitas de reforço, metais, elásticos e os mais variados ornamentos utilizados no modelo. O cabedal está pronto. O calçado é encaminhado para a montagem. A sineta toca e os trabalhadores partem para o almoço.

Na fila do microondas José conversa com os colegas sobre o baixo volume de pedidos. O mercado chinês acabou com as horas extras e as viradas de noite. Está na hora de pensar em trabalhar com outra coisa, mesmo aposentado, ele não pode ficar parado, mas fazer o que? Durante quarenta anos de sua vida sempre exerceu a mesma função. O seu oficio: sapateiro. E dos bons! Em nenhum outro lugar do mundo existem pessoas que conhecem tão bem os detalhes da confecção de um bom sapato como aqui. Pensa ele.

Chega a sua vez. Quatro minutos são o suficiente para aquecer o feijão, o arroz e a carne de panela. José aprecia com gosto a comida da mulher. Quando está em casa sempre repete. Na mesa do refeitório, composta por vinte homens, os talheres movem-se rapidamente para lá e para cá. Quem senta na ponta tem a sensação de estar assistindo a uma dança de palhetas de pára-brisas durante um forte temporal.

As raspadas no fundo do pote indicam fim da refeição e início da pestana. Sobre caixas de papelão ou nos refeitório, aqueles mais cansados estiram o corpo e fecham os olhos. Outros se arriscam no carteado.

Uma e meia. A sineta indica que tudo deve voltar a ser como antes do meio dia. O sol a pino disputa um duelo com a força das pás do ventilador. O mais forte vence e o calor faz as testas daqueles homens expelirem gotículas de suor.

O contraforte é preso ao sapato é posto por José no contraforte e a forma, entregue por Pedro com a palmilha de montagem presa em sua base, está pronta para ser selada com a torquesa o espichador. Logo após a lixadeira entrar em ação está na hora de receber a sola. A colagem só fica uniforme se as duas partes forem para a sorveteira receber forte calor.

José retira o sapato da máquina e o leva para o torno, cola a palmilha, espera secar e dá o toque na escovadeira. E a missão se repete por toda a tarde. Sapato pronto, é a vez de Inácio colocar a bucha de papel de ceda e encaixotar os 100 pares produzidos durante todo o dia na fábrica. Há alguns anos eram mil.

Seis horas da tarde. O horário de verão confunde, depois de cinco meses voltando para casa na escuridão e, por muitas vezes, no frio e na chuva, agora José faz seu trajeto na companhia do astro rei.

Ao chegar em casa as crianças param de fazer o tema e correm ao seu encontro. São elas, juntamente com a esposa, que dão forças para José continuar, dia após dia, a sua digna batalha pelo alimento e pelo futuro de seus filhos. José se orgulha da profissão e do seu trabalho, ele ama o que faz. Este sentimento foi passado adiante, assim como seu pai o fez. O filho mais velho já disse: quando crescer quero ser sapateiro, igual ao papai!

Vergonhosa saúde públicaMeio dia de quarta-feira. Foi nesse dia e neste horário que o pesadelo começou. Minha bexiga já dava sinais de que tinha alguma coisa errado acontecendo, mas como toda boa neta de italianos recorri a um bom chazinho de quebra-pedra. Mas não adiantou, na metade da semana as dores e a queimação aumentaram e a sensação de estar sempre com a bexiga cheia era o que mais incomodava.

Não tive escolha, pedi dispensa do trabalho, peguei minha bolsa e fui correndo para o posto de saúde do centro de Novo Hamburgo. Chegando lá desanimei, olhei para a quantidade de pessoas que se encontravam naquele lugar e tive a certeza que iria passar longos minutos à espera de atendimento. Uma hora e meia. Esse foi o tempo em que ali fiquei parada, com dor, com ardência na bexiga e com raiva.

Raiva de pagar tantos impostos e não ter direito a uma saúde pública de qualidade. Raiva dos prefeitos que a cada eleição prometem investir na saúde nada fazem. Raiva de mim mesmo por sempre acreditar que um dia as coisas nesse país podem mudar para melhor.

A cada minuto que passava minha sensação de impotência aumentava. Olhava para as várias crianças que gemiam de dor no colo de seus pais, mães e avós sem poder fazer nada. Pequeninas mãos enxugavam lágrimas. Rostinhos cansados e desanimados retratavam o fiel descaso da saúde pública neste país.

Sentei no único lugar vago, ao lado do balcão de atendimento, onde acompanhei algumas histórias. Um pedreiro chegou ferido. A moça da recepção pediu para ele se encaminhar ao Hospital Municipal, onde poderiam atender ele mais rápido e fazer um Raio X de suas costelas. Uma senhora pediu para marcar um exame e foi informada que deveria se dirigir ao posto de saúde mais próximo de sua casa. Uma mulher chegou querendo ver a sua mãe que ali estava internada, mas teve dificuldades de entrar e ficou na sala de espera caminhando de um lado para outro agoniada. O senhor que vendia refrigerante e água mineral entrou três vezes para oferecer suas mercadorias.

Médicos
Já fazia um bom tempo que estava ali quando uma menina entrou e desviou a atenção de todos os olhares para si. Sentada na cadeira de rodas, ela tinha sérios problemas de estruturação óssea, provavelmente causados pela paralisia infantil. Cabelos e olhos castanhos, pele lisa como uma ceda. Seu rosto lembrava o de uma boneca. Ela olhou assustada para as pessoas. Com certeza queria entender o porquê dessa não aceitação de quem é especial. O médico logo a chamou e ela deu um sorriso. O sorriso mais doce e sincero que já vi.

Por alguns minutos me coloquei no lugar dela e depois, quando voltei a mim,me senti um nada. Meus problemas passaram de uma grande pedra para um grão de areia. Minha dor diminuiu, porque a dor daquela menina deveria ser muito maior. Além da dor física, ela enfrenta a dor da rejeição, do sentimento de pena que as pessoas têm por ela. Isso deve causar uma enorme tristeza naquele coraçãozinho.

Finalmente fui chamada. A enfermeira tirou minha pressão, perguntou o que eu tinha e pediu para eu aguardar até ser chamada. Aguardar. Depois de meia hora fui chamada, mas tive que esperar mais um pouco até ser atendida. Nesse meio tempo fiquei sentada na frente da sala do pediatra. De cinco em cinco minutos uma criança entrava e saia do consultório. Espantei-me coma rapidez de cada consulta. Será que é possível examinar uma criança em tão curto espaço de tempo? Acredito que não. Se fosse uma consulta particular a criança ficaria, no mínimo, uns vinte minutos com o médico.

Finalmente a médica me chamou. Uma castelhana de óculos, baixa, de cabelos médios e avermelhados. Sentei. Sem olhar para minha cara ela perguntou o que eu tinha. Expliquei. Ela disse que não era preciso fazer exames para confirmar, todos os sintomas levavam a crer que era infecção urinária. Sem encostar em mim, pegou o bloco e a caneta e começou a escrever. Três remédios, por sete dias e ponto. Perguntou se eu estava naqueles dias e grávida. Respondi: não e não. Tchau.

Fui embora mais indignada do que cheguei. Esperei tanto tempo naquele posto para isso? Quanta arrogância e descaso com o ser humano. Como uma mulher dessas se julga médica tratando os pacientes como coisas? Nunca tinha visto isso, um médico que não encosta no paciente. Não olhou minha garganta e nem meus ouvidos, não apertou a minha barriga, nem escutou minha respiração e as batidas do meu coração. Ela nem ao menos olhou para os meus olhos! E se eu estivesse grávida ou naqueles dias, será que os remédios poderiam me dar algum efeito colateral? Se dessem, azar o meu.

Já dizia a minha queria avó “Pobre dos pobres”. Quem não tem um plano de saúde está condenado a recorrer a este tipo de profissional. Passamos quatro meses do nosso ano pagando impostos e recebemos em troca descaso, humilhação e abandono. Se temos saúde temos tudo e, se não temos, pobre de nós.

Quem ainda acha que congestionamento de quilômetros só existe em São Paulo está muito enganado. Durante toda quarta e quinta feira (07 e 08/05) a BR116, no sentido São Leopoldo-Porto Alegre, e as pontes 25 de Julho e Henrique Luiz Roessler, localizadas no Centro de São Leopoldo, ficaram trancadas devido à imprudência dos motoristas e da população. A lentidão do tráfego foi causada pela redução da velocidade dos veículos para ver a enchente do Rio dos Sinos.

Eu acompanhei de perto esse caos, pois, ao me dirigir do Centro de Novo Hamburgo a Unisinos, levei duas horas, ao invés de uma, como de costume.

Veja mais informações no meu Blog sobre esse assunto na página Congestionamentos.

Aos 85 anos, 62 dedicados aos filhos, Ana Pilatti é a primeira entrevistada da seção Perfil Especial do Dia das Mães

Natural da zona rural de Canela, do distrito de Banhado Grande, Ana morava junto com os pais Ângelo e Rosália Carniel, descendentes de italianos, e com os 12 irmãos. Aos seis anos foi para a escola, mas três anos depois teve que deixar os cadernos de lado para ajudar a família. Casou aos 21anos com Tealmo Pilatti e foram morar no distrito de Carol, também na zona rural do município de Canela, onde tiveram dez filhos, cinco homens e cinco mulheres. No interior, o único modo de sobrevivência era baseado na agricultura e, por isso, a vida do casal se resumia a trabalhar e cuidar dos filhos.

Todos os dias, Ana precisava acordar cedo para tirar leite das vacas e tratar os animais (vacas, bois, galinhas e porcos). Quando fazia sol, ia para a roça com o marido e os filhos. Quando chovia, o destino da família era o galpão, onde descascavam milho e faziam vassouras de palha. Se uma das crianças ficava doente, Ana recorria aos chás e remédios caseiros. Se o caso fosse grave, andava 10 km para chegar até o médio mais próximo.

Durante as dez gestações, nunca teve acompanhamento médico e dos dez partos, nove foram feitos em casa pela parteira Luiza Schuantz. Ana veio morar em Novo Hamburgo no bairro Vila Mentz em 1975, devido aos problemas de saúde de Tealmo. Hoje, ela reside no bairro Rio Branco com as filhas gêmeas.

Mesmo tendo perdido dois filhos e o marido, nunca encontramos a vó Ana, como é conhecida por todos, desanimada. Essa senhora baixinha de cabelos brancos possui uma alegria de viver inigualável. Ana é um grande exemplo de vida. Todas as dificuldades pelas quais passou foram um estímulo a mais para ela nunca desistir. Com o sorriso sempre estampado no rosto, conquista a todos com o seu jeito calmo e amoroso. Os oito netos e o bisneto são os seus xodós.

Para passar o tempo, faz crochê e lê jornais e revistas. Às vezes, quando não está conversando com alguém, começa a cantar, animando ainda mais o ambiente. Na sexta-feira, dia 25, a estudante de jornalismo Daniela Cristina Machado foi entrevistar Ana na sua casa. Conheça um pouco mais da vida e da história dessa mãe mais do que experiente.

novohamburgo.org / Daniela – Como era a rotina da senhora lá em Canela?

Ana Pilatti – Eu acordava às 5 horas da manhã e fazia fogo no fogão a lenha. Enquanto o fogão esquentava, ia tirar o leite das vacas e tratar os animais. Voltava pra casa, fazia o café e a arrumava a merenda para as crianças levarem a escola. Quando não tinha pão, eu fritava bolinho pra elas comerem no café da manhã. Era assim, se a gente tinha uma coisa, faltava outra. Sempre tinha que inventar, dar um jeito, mas nunca passamos fome lá em casa. Se tinha pouca coisa, a gente dividia igual para cada um. Eu e meu marido, com a ajuda dos filhos mais velhos, passávamos o dia inteiro na roça plantando. A gente conseguia vender frutas, vassouras, galinhas e ovos. Com esse dinheiro nós comprávamos os mantimentos que não conseguíamos produzir em casa, como açúcar, sal e café. Eu também fazia schimier pra vender e costurava para os vizinhos. Aprendi a costurar com Angelina, uma de minhas irmãs. Depois que estava bem treinada, ela me deu uma máquina de pedal de presente. Como naquela época não tinha energia elétrica, costurava a luz de velas, com as crianças na minha volta.

novogamburgo.org /Daniela – Onde a senhora conheceu o seu marido? Como foi o dia do seu casamento?

Ana Pilatti – Eu conheci o Tealmo em uma festa da Igreja, no Banhado Grande. A gente ficou conversando durante a festa. Eu tinha 21 anos e ele 29 quando a gente se casou. Nosso primeiro beijo foi nesse dia. Eu estava muito feliz, porque estava casando com o homem que eu escolhi e que gostava muito. Até hoje me lembro do meu vestido de noiva ele era bem volumoso. O Tealmo era muito trabalhador e companheiro, a gente sempre foi mais amigos do que marido e mulher. Nós gostávamos muito de conversar. Faz 13 anos que Deus levou ele de mim. Tenho muitas saudades dele.


novohamburgo.org/Daniela – Conte como foi a sua primeira gravidez.

Ana Pilatti – Eu tinha por volta de 23 anos. Quando descobri que estava grávida, fiquei com um pouco de medo, porque não tinha muita prática em cuidar de crianças. Nasceu um lindo menino e decidimos colocar o nome dele de Ivo. Naquela época, o hospital ficava muito longe de nossa casa. Por isso, os partos das pessoas que moravam no interior eram feitos em casa por uma parteira

novohamburgo.org/Daniela – Ao todo, a senhora teve dez filhos, sendo que o último parto foi de gêmeos. A senhora sabia que estava grávida de duas crianças ao mesmo tempo?

Ana Pilatti – Eu não sabia. A gente não ia ao médico, só quando estava doente. Nessa minha última gestação estranhei o tamanho da barriga, que estava muito maior do que normalmente ficava. Nas duas semanas que antecederam o parto eu não conseguia mais deitar na cama, dormia sentada na cadeira, porque a barriga estava muito pesada. Quando as gêmeas nasceram fiquei muito feliz ao ver aquelas duas lindas meninas. Como eu sabia costurar, fazia roupas iguais para elas usarem. As pessoas que não eram de casa nunca sabiam que era a Maria da Graça e a Maria de Fátima. Elas se vestiram iguais até a adolescência, depois cada uma usava aquilo que mais gostava, mas até hoje tem gente que confunde as duas.

novohamburgo.org/Daniela – O seu marido ajudava a senhora a cuidar das crianças?

Ana Pilatti – Ele ajudava sim, quando não estava trabalhando na roça brincava com as crianças. Me lembro que ele comprava alguns metros de tecido e fazia as fraldas de pano para eu colocar nos bebês.

novohamburgo.org/Daniela – A senhora só foi três anos na escola. Mesmo assim, incentivou os seus filhos a estudarem?

Ana Pilatti – Eu fui até a 3ª série na escola, porque precisava ajudar os meus pais na lida da roça, mas eu gostava muito de estudar. A pessoa que não tem estudo é uma inútil, porque dificilmente ele vai conseguir emprego. Sempre incentivei os meus filhos a estudarem, queria que eles fossem alguém na vida. Hoje todos trabalham e tem a sua casinha, as suas coisas. Tenho muito orgulho de todos eles.

novohamburgo.org/Daniela – Hoje em dia é mais fácil criar um filho?

Ana Pilatti – Não sei se é mais fácil, porque naquela época as coisas eram meio precárias. Hoje as pessoas tem tudo, mas elas não se respeitam mais. Cada vez o mundo está pior. A violência está de mais, as pessoas se matam por coisas bobas. Antigamente os filhos respeitavam mais os pais, não precisava nem falar. O meu marido só olhava pras crianças quando elas estavam fazendo alguma arte e elas já corriam para o quarto. Hoje as crianças respondem pros pais, tem umas que até batem neles. Os valores mudaram muito. As pessoas precisam ter Deus no coração, só assim vamos conseguir alcançar a paz.

novohamburgo.org/Daniela – Qual o sentimento que a senhora tem pelos seus filhos?

Ana Pilatti – Amor, amizade, um sentimento bem louco. Tenho saudade de todos eles e quero que fiquem sempre perto de mim. Mas eu sabia que quando crescessem cada um seguiria o seu próprio caminho. Tenho dois filhos que moram em Canela e uma em Dois Irmãos, os outros moram aqui em Novo Hamburgo. Sempre que podem eles vem me visitar. Quando não conseguem estar comigo, me ligam pra matar a saudade.

novohamburgo.org/Daniela – Dois filhos da senhora faleceram. Como conseguiu superar essas perdas?

Ana Pilatti – O Luiz Paulo morreu no dia do parto, com o cordão umbilical enrolado no pescoço e o Ivo morreu com 38 anos, de apendicite. É muito difícil perder um filho, é um sentimento de dor sem fim. Quando o Ivo morreu eu chorava sem parar durante vários dias, mas vi que tinha outros oito filhos que precisavam de mim. Isso me deu forças pra seguir em frente.

novohamburgo.org/Daniela – Em sua opinião, o que significa ser mãe?

Ana Pilatti – A mãe é o pilar da família, ela deve ser um exemplo para os filhos. Sem ela a família fica perdida. Tudo que eu aprendi com a minha mãe tentei passar para os meus filhos e hoje ele são bons pais e boas mães. A mãe deve ensinar os seus filhos a serem honestos, trabalhadores e não fazer o mal para as outras pessoas.

novohamburgo.org/Daniela – O que uma mulher deve fazer para ser uma boa mãe?

Ana Pilatti – Dar muito amor, carinho e educação para seus filhos. Grande parte do que somos é construído dentro de casa. Os pais devem passar valores para os seus filhos. Ter paciência também é fundamental.

novohamburgo.org/Daniela – Tem algum sonho que a senhora ainda não conseguiu realizar?

Ana Pilatti – Não, tudo que eu sonhava eu realizei. Queria ter uma casa, uma família e saúde pra tocar a vida. Tudo isso eu consegui.

Entrevista publicada no site Novohamburgo.org

Para muitos ela pode ser apenas mais uma igreja no centro da cidade de Novo Hamburgo, para outros é um belo ponto turístico. Contudo, a Igreja da Ascensão de Nosso Senhor, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Novo Hamburgo, é uma igreja diferente das demais devido a um grande detalhe: o seu estilo neogótico.

A maioria dos moradores da cidade até sabe que esta igreja possui um esse estilo incomum, porém são poucos aqueles que apontam as características que a leva a se encaixar na arte Neogótica, que recupera as características da Arte Gótica da Idade Média.


Sites da cidade definem a Igreja da Ascensão como um ponto turístico religioso do município. A própria igreja tem um site, onde conta a história de sua construção, trazendo fotos e depoimentos daqueles que estiveram presentes em sua inauguração, além de atas e documentos.

No último dia 11, o Pastor Hardi Brandenburg entrou com uma solicitação, junto a Secretaria da Cultura de Novo Hamburgo, para pedir o tombamento da igreja e do órgão como Patrimônios Históricos da cidade. Segundo Brandenburg, que está há seis anos na Igreja da Ascensão, a comunidade hamburguense tem um grande apreço pelas características arquitetônicas externas e internas do templo.

Anualmente, a igreja recebe 10 mil visitas tanto de pessoas que fazem suas orações, como daquelas que a procuram para admirar a sua beleza. Em abril do ano passado, iniciou-se a primeira fase da reforma, feita por uma empresa de Santa Cruz do Sul. “Nessa primeira parte, restauramos o órgão e o mezanino. Em outubro deste ano pretendemos dar início a segunda parte, que é a restauração do estuque de madeira que sustenta as abóbadas, comprometido pelo cupim”, explica o Pastor.

A reforma depende da colaboração da comunidade. Através de carnês mensais ou de ofertas espontâneas, qualquer um pode ajudar “Temos urgência na restauração, pois a estrutura do teto está comprometida. Não vamos mexer na cobertura, apenas controlar possíveis vazamentos de água e acabar com os cupins”, diz Brandenburg. O teto da igreja é dividido em seis passarelas e uma das idéias da restauração é facilitar o acesso das pessoas ao interior do telhado, para que possam conhecer também esta parte da igreja.

Caso o projeto de Tombamento Histórico seja aprovado, recursos públicos vão viabilizar as reformas, que podem chegar a um milhão de reais. O Presbitério (Diretoria) é o responsável pelo gerenciamento da conservação do patrimônio da igreja. Colaboradores com vínculos empregatícios e voluntários trabalham na conservação do templo, que em outubro deste ano completa 57 anos.

Reportagem publicada no site Novo Hamburgo.org

Diariamente vemos viaturas da Guarda Municipal circulando por Novo Hamburgo. A maioria das pessoas sabe que os agentes são responsáveis pelo controle e fiscalização do trânsito. Porém, as atribuições da Guarda são muito mais amplas. Diversas conquistas foram realizadas ao longo dos seus 16 anos e novos projetos estão sendo debatidos e colocados em prática.

Histórico

primeira-turma-da-guarda-1992.jpgA Guarda Municipal de Novo Hamburgo foi criada no dia 8 de janeiro de 1990 tendo como finalidade proteger os bens, serviços e instalações do poder público municipal, oferecendo segurança à comunidade. Mas somente 1992 foi efetivada a contratação da Guarda, que teve como seu primeiro diretor o Coronel da Polícia Militar da Reserva Antônio Francisco Mesquita Salgado.

Após o processo seletivo realizado em março do mesmo ano, a corporação iniciou o curso de formação dos agentes. No dia 9 de maio de 1992 a Guarda, composta por 180 profissionais, passou a ser empregada nas ruas.

Quatro anos depois, assinou-se um convênio com o Governo do Estado para que a Guarda Municipal passasse a atuar na fiscalização do trânsito na área central da cidade. Assim, liberaram-se os Policiais Militares desta tarefa, que passaram a operar diretamente na segurança pública.

No dia 15 de janeiro de 1997 a Corporação iniciou suas atividades de fiscalização de trânsito e tornou-se referência como a Guarda Municipal mais preparada e equipada do Rio Grande do Sul. Um ano depois, Novo Hamburgo é a primeira cidade do Estado a assumir a municipalização do trânsito.

Foto: Daniela Machado
atual-sede-da-guarda.jpgA Guarda teve sua primeira sede no bairro Rio Branco, tendo passado depois para o Centro Administrativo Leopoldo Petry no bairro Canudos, voltando para o bairro Rio Branco e em 2006 se instalou no antigo Fórum de Novo Hamburgo, localizado na Rua Bento Gonçalves, 606, bairro Pátria Nova, onde permanece até hoje.

Na sede funciona o Cartório de Trânsito, o qual é responsável por cópias autenticadas de Boletim de Acidente de Trânsito e Auto de Infração de Trânsito. Além disso, no local podem ser encaminhados Defesa ou Recurso de Infração de Trânsito.

A Guarda

Atualmente 199 guardas estão em atividade na cidade, sendo 159 homens e 42 mulheres, que orientam, controlam e fiscalizam o trânsito nas vias de sua competência.
A Guarda Municipal possui uma frota de 12 motos e 14 viaturas, que circulam 24 horas por dia na cidade, dispondo ainda de equipamentos e armamento.

carros.jpgA Corporação é responsável por atender toda a rede de ensino municipal, postos de saúde, secretarias, parques, praças e prédios públicos. Além disso, a Guarda participa de operações integradas com a Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal.

Uma equipe de agentes atua conjuntamente com a Secretaria municipal do Meio Ambiente. Os guardas operam também com os Policiais Militares no Centro Operacional Integrado de Vigilância Eletrônica (COIVE), onde existem 19 câmeras eletrônicas que monitoram 52 ruas no Centro da cidade e no bairro Canudos.

Tendo como lema Protetor e Amigo, os guardas participam de cursos de formação, reciclagem e aperfeiçoamento para que possam estar habilitados a auxiliar nas dificuldades da segurança pública.

Educação Preventiva

Desde 1993 a Guarda Municipal trabalha com a questão da educação preventiva nas escolas voltadas à preservação do patrimônio público, meio ambiente e trânsito. Em 2000 formou-se o grupo de teatro Canal Livre. Atualmente o grupo é composto por seis guardas que realizam apresentações em escolas, empresas e entidades sociais, além de participarem das blitz educativas de trânsito.

palestras-e-teatro.jpgComo proposta alternativa para o exercício da cidadania entre as crianças, criou-se a Guarda Mirim. O projeto atende atualmente 38 crianças entre 07 e 12 anos, que se reúnem todos os sábados na sede da Guarda Municipal para ter lições de cidadania, convivência social e disciplina.

“Através da participação na Guarda Mirim, as crianças tomam maior consciência da importância de se ter uma boa conduta no trânsito. Futuramente elas serão bons motoristas e multiplicadores destas ações”, explica a Diretora da Guarda Municipal, Eliane Luiza Schmidt.
O serviço de ouvidoria funciona desde 2006 atendendo a população que pode fazer sugestões e reclamações, além de elogios sobre a atuação da Guarda. A participação da comunidade é feita diretamente na sede ou pelos telefones (51)3524.87.37 e 3524.87.38.

Após o contato, o assunto passado pelo contribuinte é encaminhado para a Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Transporte (SEMTRAS), que analisa cada caso e o encaminha para a Corregedoria da corporação.

A comunidade também pode agilizar o contato com a Guarda através do telefone 153. Neste caso, a população auxilia o trabalho dos agentes fazendo denúncias de irregularidades, como vandalismo em praças, prédios públicos e no trânsito da cidade.

“Nosso trabalho é voltado para a comunidade hamburguense, por isso sempre que as pessoas entrarem em contato conosco, por mais que a resposta não seja dada de imediato, estaremos averiguando o caso e encaminhando as soluções”, diz o Comandante da Guarda Municipal, Gilberto Virkoski da Silva.

Os projetos para 2008

Diversos projetos estão em discussão e serão postos em prática neste e nos próximos anos. No ano passado, grande parte dos Guardas Municipais participou do curso da Polícia Comunitária na cidade de Santo Ângelo.

blitz.jpgNeste ano, o projeto começou a ser implementado nos bairros Centro e Canudos com o objetivo inicial de reforçar o patrulhamento em horários de picos nas vias de maior fluxo dos bairros. “As patrulhas do bairro Centro e Canudos são nossas células inicias de ação da Polícia Comunitária. Elas ficam em ruas de grande movimentação fazendo o patrulhamento até as 21horas”, descreve a Diretora Eliane.

Até o final de 2008 o reforço se estenderá aos demais bairros da cidade. Segundo a Diretora Eliane, sempre estarão presentes os mesmos guardas “Quando a mesma guarnição é mantida os Guardas acabam reconhecendo as pessoas que residem naquele bairro e criam um vínculo de confiança com elas. Deste modo, quando os moradores observarem alguma irregularidade terão proximidade para buscar auxilio com os agentes”, explica.

A Diretora e o Comandante

A Diretora Eliane Luiza Schmidt, 42 anos, iniciou na Guarda Municipal desde o surgimento da mesma na cidade. Trabalhou no patrulhamento até 2005, quando passou a atuar na diretoria. “A Guarda é a minha família. Sempre gostei desse trabalho e é uma honra participar há 16 anos dessa Corporação”, finaliza.

Foto: Daniela Machado
diretora-eliane-e-comandante-gilberto.jpgHá dois anos Gilberto Virkoski da Silva, 38 anos, é o Comandante da Guarda Municipal de Novo Hamburgo e também integra a corporação há 16 anos “É uma satisfação muito grande estar à frente de uma instituição como essa e comemorar mais um ano de sua atuação na cidade de Novo Hamburgo”.

O Comandante Gilberto se diz muito grato à população hamburguense. “Gostaria de agradecer a parceria da comunidade que sempre colaborou com a realização do nosso trabalho e convida – lá para participar das nossas atividades de aniversario.”

O aniversário de 16 anos

Para comemora o 16° Aniversário da Guarda Municipal de Novo Hamburgo foi organizado uma semana repleta de atrações. A programação iniciou na segunda-feira e se estende até o sábado. Entre as atividades, está o Tradicional Baile da Guarda Municipal e o Torneio Interno de Futebol de Salão.

Confira programação completa das comemorações de aniversário

Reportagem publicada no site Novo Hamburgo.org


1179526197_violencia21.jpgAtualmente falamos sobre assaltos, estupros, violência contra mulheres e crianças, tortura e morte como se fossem questões banais da vida cotidiana. Ontem tive a certeza disso.

Ao meio-dia peguei um ônibus que faz a linha Novo Hamburgo/São Leopoldo para me dirigir ao trabalho e, como de costume, sentei no penúltimo banco. A sonolência clássica que nos domina após o almoço estava começando a tomar conta do meu corpo. Recostei-me na janela e já estava preparava para tirar aquela pestana, quando um homem jovem e bem arrumado adentrou no transporte coletivo no bairro Boa Saúde, Novo Hamburgo.

A princípio parecia um passageiro como outro qualquer, menos por um motivo: a faca que segurava na mão direita. Em questão de segundos aquela arma pontiaguda apontava em direção ao cobrador. Guiado pelos seus instintos, ele reagiu e travou uma luta pela com o assaltante.

Num primeiro momento coloquei a mão dentro de minha bolsa para retirar o celular e o pen drive e os esconder debaixo do banco. Mas o pânico foi tão grande que acabou paralisando os meus movimentos, a única coisa que se mexia no meu corpo num ritmo alucinante era o coração. Uma mulher que estava sentada próxima ao cobrador levantou-se na tentativa de sair pela porta, contudo ela estava fechada e o ônibus seguia em movimento. A mulher acabou por desistir da idéia, sentou-se ao meu lado e agarrou-se no meu braço.

Enquanto isso, o cobrador conseguiu tirar a faca da mão do criminoso, mandou o ônibus parar e o expulsou da condução. Aquele homem possuído pela raiva de não ter conseguido roubar alguns trocados, ameaçou voltar com um revólver.

A viagem seguiu normalmente e sem eu ver sequer uma viatura da polícia. A mulher sentada ao meu lado tremia. Minhas pernas estavam moles e minha boca aberta. Perguntei ao cobrador se ele estava bem e, aparentemente, parecia estar calmo. Na hora do desembarque o alertei para nunca mais reagir, pois ele poderia ter se ferido caso não tivesse conseguido dominar o bandido. O cobrador pareceu não aceitar a minha opinião e disse que já havia sido assaltado outras vezes.

Quando perguntei se iríamos registrar a ocorrência, a resposta foi “não”. O vendedor de vassouras que estava sentado próximo a mim, garantiu que o bandido é conhecido dos moradores do bairro, pois já assaltou vários estabelecimentos comerciais.

Passei o dia pensando naquele assaltante jovem e bem aprumado. Hoje em dia o bandido não é mais um maltrapilho que usa roupas rasgadas e um boné sujo. Agora ele usa terno ou roupas de marca e gel no cabelo.

Com certeza aquele homem estava pronto para invadir outro ônibus, uma casa ou um comércio. Os seus assaltos, assim como os de outros criminosos, tornaram-se corriqueiros e as pessoas não acreditam mais na polícia. Pra que denunciar? Só se gasta tempo e ainda se corre o risco do bandido voltar para se vingar.

O pior de tudo não é as pessoas se acostumarem com os assaltos, mas é a banalização de nossas vidas. Quando não denunciamos esses criminosos estamos dando a eles a chance de acabarem com vidas inocentes. Alguém ainda lembra do menino João Hélio Fernandes? Eu lembro e não quero que isso aconteça com os meus parentes e amigos.

Meu avô conta que antigamente não se colocava cadeado nas portas, mas apenas uma tramela para os animais não entrarem dentro de casa. Hoje erguemos muros, colocamos grades, cerca elétrica, cães de guarda e pagamos segurança particular. Além disso, repassamos diariamente e-mails aos nossos conhecidos com dicas de segurança e alertas para não caiam nos inúmeros golpes espalhados por aí. Cadê a melhoria da segurança, a contratação de novos policiais e a compra de novas viaturas prometidas a cada eleição pelos candidatos a presidente, deputado, governador, prefeito e vereador?

Quero deixar registrado aqui as minhas dicas. Nunca reaja e sempre denuncie aqueles que estão praticando atos ilícitos. Comece a prestar mais atenção antes de sair de casa e do trabalho, observe bem as pessoas e os lugares por onde passa, ande sempre em lugares movimentados, não faça à mesma rota todos os dias e nunca saia sem alguns trocados, várias pessoas já morreram por não terem nada de valor. Precisamos dar mais valor a nossa vida, o amanhã pode não chegar, muitas vezes, pela falta de segurança pública.

Texto publicado no site Portal3 e no site Novohamburgo.org