Posts com Tag ‘Lei da Tolerância Zero’


A nova lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas por motoristas está há um mês em vigor e continua sendo questionada quanto a sua eficácia. Mesmo assim, muitos motoristas já mudaram seus hábitos, e para melhor. Infelizmente é só através de leis enérgicas que os brasileiros começam a ser mais responsáveis pelos seus atos. Bastou falar em multa e prisão para os condutores deixarem seus caros em casa e ir para o bar ou ficar em casa e beber.

Quem diz estar perdendo com a Lei Seca são os bares e restaurantes. Ao invés de reclamar, os donos de estabelecimentos que tem grande parte do seu lucro vendendo bebidas alcoólicas devem encontrar maneiras de conscientizar seus freqüentadores a voltar para casa com segurança. Uma parceria com taxistas, vans e empresas de transporte coletivo pode ser uma boa idéia. Além disso, o próprio bar pode ter seu automóvel leva e trás.

Uma coisa é certa, se antes o motorista freqüentava lugares que tinham estacionamento para deixar seu veículo, agora ele vai buscar aqueles que oferecem uma maneira de levá-los embora. Os estabelecimentos comerciais não podem ser tão egoístas, pensar apenas no lucro e esquecer que o maior bem que possuímos está em jogo: a vida. As pessoas não foram proibidas de beber e sim de dirigir bêbadas, o que é totalmente diferente. Por isso, os donos desses locais devem usar da criatividade para não perder a clientela.

Agora é a hora dos taxistas diminuírem as suas tarifas e das empresas de ônibus colocar alguns veículos para circular no horário da madrugada. Deste modo ninguém sairá perdendo, pelo contrário, haverá criação de novos postos de trabalho.

Durante muito tempo o governo foi questionado quanto à segurança no trânsito e agora que uma lei destas foi aprovada e diversos policiais estão realizando uma fiscalização eficaz nas estradas do país, algumas pessoas começam a questioná-la. Correta ou não, o fato é que o número de acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados caiu drasticamente. Muitos deixaram de morrer e outros tantos de se machucar. Diminuíram as cenas absurdas de motoristas que bebem e não conseguem assoprar o bafômetro.

Ao mesmo tempo criou-se outro problema, a venda de bebidas caiu e os comerciantes reclamam dos prejuízos. Outros argumentam que o número de acidentes diminuiu porque os condutores estão com medo de saírem motorizados devido à nova lei. Só deve temer quem bebeu e não quem possui um veículo. A Lei da Tolerância Zero não vai terminar com os acidentes, muito pelo contrário, enquanto continuar a se investir pouco na melhoria das estradas e da sinalização diversas pessoas vão se acidentar.

Imagem: Divulgação

Dificilmente alguém nunca sofreu um acidente de trânsito ou não teve um parente ou amigo que morreu vítima de tanta violência sobre rodas. No dia primeiro de janeiro do ano passado fui ao velório de um amigo de 21 anos, morto pela própria impudência. Após comemorar o ano novo com muita cerveja, resolveu dar uma volta de moto e, ao fazer uma ultrapassagem perigosa, acabou colidindo em um carro que vinha na pista contrária. Ele morreu na hora. O pior é que seus familiares tiveram que velá-lo com o caixão fechado, tamanho foi o choque que seu corpo sofreu.

A morte de um jovem revolta e ao mesmo tempo ensina uma dura lição: definitivamente bebida e direção não combinam. A mãe desse rapaz nunca mais teve a mesma vida, afinal nenhum pai quer enterrar o seu filho.

Se você costuma dirigir após um pileque coloque-se no lugar de seus pais. Toda vez que o filho sai de casa para uma balada eles não dormem de tanta preocupação. Dirigir é antes de tudo sinônimo de responsabilidade. Não queira ser mais um número na estatística de mortes no trânsito. Queira ser um exemplo a ser seguido pelos seus amigos.

Felizmente a maioria da população é a favor da nova lei. O que não pode acontecer agora é ela cair no esquecimento por falta de fiscalização. Daqui a uns dias a imprensa vai parar de dar tanta ênfase ao assunto e as pessoas vão deixar de comentá-lo na roda de amigos. Se os condutores fossem mais responsáveis no trânsito a lei não precisaria ser tão severa e muitas famílias não teriam sido destruídas.

Opinião publicada no site Novo Hamburgo.org

Há mais de um mês em vigor, a proibição ainda causa divergências de opiniões. Confira alguns resultados, opiniões e alternativas

 

Já faz um mês que a lei 11.705 entrou em vigor no país, mas o assunto ainda continua causando muita discussão e polêmica. A Lei Seca ou Lei da Tolerância Zero, como é conhecida, prevê que o motorista flagrado com 2 decigramas de álcool por litro de sangue, ou 0,1 miligrama de álcool por litro de ar expelido no bafômetro (equivalente um copo de cerveja), recebe multa de R$ 955,00, perde sete pontos na carteira de habilitação e pode ter o veículo apreendido e o direito de dirigir suspenso por 12 meses

Além disso, se o condutor apresentar um índice acima 6 decigramas de álcool por litro de sangue (equivalente a dois copos cerveja) estará sujeito à pena de seis meses a três anos de prisão, com direito a fiança, que varia entre R$300 a R$1.200,00. Mesmo pagando este valor e sendo liberado, o infrator responde a um processo criminal.

Antes da nova lei era difícil encontrar quem não ultrapassasse o limite, que era o dobro, mas foi só a polícia divulgar as primeiras prisões para os motoristas ficarem receosos e os bares mais vazios.

A lei da tolerância zero também proíbe a venda de bebidas alcoólicas ao longo dos trechos das rodovias federais nas áreas rurais. O homicídio praticado pelo motorista alcoolizado deixou de ser culposo e passou a ser doloso (com intenção).

O objetivo dessas duras medidas é conscientizar de vez os condutores de que álcool e direção não podem andar juntos. Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, “o governo não arredará pé nem um milímetro” em relação à nova lei e “quem não pretende cumprir a lei vai mudar de opinião rapidamente quando for preso”.

Resultados obtidos pela nova lei

Um estudo nacional feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 10% dos brasileiros afirmaram terem dirigido após a ingestão de bebidas alcoólicas. De cada quatro pessoas mortas por dia em acidentes de trânsito no Rio de Janeiro, uma foi vítima de motorista bêbado ou era o próprio motorista alcoolizado.

Desde que a lei entrou em vigor os acidentes de trânsito caíram 25% no Rio Grande do Sul e o número de mortes registradas nas estradas gaúchas reduziu em 60%. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Porto Alegre também registrou uma redução de 35% nas operações de resgate. A nova lei trouxe ganho para o serviço, uma vez que a queda dos acidentes significa mais agilidade no atendimento das ocorrências de outras naturezas.

Durante o último final de semana sete condutores que dirigiram sob efeitos do álcool foram presos pela Brigada Militar nos 15 municípios de abrangência do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale dos Sinos.

A opinião dos motoristas

A nova lei divide opiniões. Mesmo assim, a maioria é favorável a sua aplicação. O estudante Enéas Dutra, 21 anos, acredita que o direito de beber está garantido, mas afirma que vai demorar para o brasileiro ter responsabilidade por conta própria. “A conscientização é possível, mas devido aos fatores históricos na formação da cultura brasileira é o modo que terá resultado a longo prazo. A lei, neste caso vista como enérgica, é a medida urgente que se faz necessária pelos altos índices de acidentes causados por embriagues apresentados no trânsito”, diz.

A contadora Cristiana Tavane Paze, 31 anos, também concorda com a Lei Seca e destaca o papel da escola na formação de futuros motoristas responsáveis. “Acho que, logo que a criança entra na escola, já deveria ter aulas sobre leis de trânsito. Somente com pessoas educadas teremos um trânsito menos violento”, afirma.

Já o comerciário Vagner Henrique da Silva, 22 anos, era contrário à punição dos motoristas pegos em flagrante por dirigirem alcoolizados. Após a imprensa divulgar a queda do número de acidentes, ele mudou de opinião. “Eu era contra a nova lei, mas mudei de idéia quando vi que o número de acidentes com vítimas fatais diminuiu em 60%. As punições também fazem o motorista pensar duas vezes antes de pegar o volante embriagado”, explica.

Buscando alternativas

A tolerância zero imposta pela nova lei está mudando o hábito daqueles que costumam sair à noite e consumir bebidas alcoólicas. Pressionados, os motoristas estão buscando alternativas para continuar a beber e não ser pego pelo bafômetro. Ao invés de uma vaga para estacionar, a procura agora é por táxis e vans. Há ainda os que prefiram fazer rodízio com os amigos, aquele que vai dirigir fica só no refrigerante.

Os bares já estão pensando e colocando em prática algumas ações para não terem prejuízos. Em São Paulo, por exemplo, alguns estabelecimentos criaram o “personal-motorista”. Este serviço disponibiliza um motorista para levar o dono do veículo para casa e depois um motoboy traz de volta o funcionário. Para aqueles que preferem deixar o carro em casa, podem chegar e sair do bar em vans patrocinadas por uma empresa de bebida. As vans estão programadas para sair de hotéis, feiras e eventos na capital paulista. Por serem patrocinadas não tem custo algum ao usuário.

A infra-estrutura das festas na Região Metropolitana de Porto Alegre também está mudando devido a Lei Seca. Os transportes alternativos, como linhas de ônibus extras, são algumas das alternativas adotadas para os participantes poderem aproveitar os festejos sem infringir a lei. Esta medida será adotada em São Leopoldo, onde ocorre a São Leopoldo Fest, de 25 de julho a 3 de agosto e na 21.ª Oktoberfest de Igrejinha, que acontece entre 10 e 19 de outubro.

Reportagem publicada no site Novohamburgo.org