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Pesquisa revela que os principais portais de notícias do país usam as redes sociais como RSS do seu site, interagem pouco com os seus leitores e não desenvolveram uma linguagem própria para este espaço.


Twitter

No meu Trabalho de Conclusão de Curso analisei a presença de cinco portais de notícias no site de rede social Twitter e a forma como o discurso jornalístico estava sendo reconstruído neste espaço, que oferece apenas 140 caracteres por vez para o jornalista passar a informação ao leitor.

Durante uma semana observei o conteúdo publicado e as interações dos perfis do G1, O Globo, Estadão, Jornal do Brasil e Zero Hora.

O principal ponto descoberto foi a falta de interação existente entre os perfis jornalísticos e seus seguidores.

O G1 e o Jornal do Brasil apenas criaram uma conta no site de rede social e passaram a publicar diariamente uma avalanche de notícias, usando o canal como um RSS e não como um site de rede social.

O Globo está iniciando, ainda timidamente, um relacionamento com seus seguidores. Já os jornais Estadão e Zero Hora são os que mais interagem na rede sociais, mas poucos tweets convidaram os seguidores a participar de ações promovidas pelos veículos ou aproveitaram este canal de comunicação para encontrar fontes para suas matérias.

Um grande engano que as empresas jornalísticas aparentam possuir é de que as redes sociais são um modismo, quando na verdade elas são um fenômeno social e estão em crescente ascensão. Ignorar este fato e criar uma conta apenas para dizer que está presente por lá é arriscar perder a confiança dos leitores. A falta de entendimento sobre o objetivo principal das redes sociais, em geral, é algo preocupante.

O Twitter já existe há cinco anos e apenas observando a sua evolução, o posicionamento de diversas empresas e a atuação de atores sociais relevantes é possível compreender que este site de rede social foi feito para a troca de diálogos.

Tanto é que suas mensagens são limitadas a 140 caracteres e podem ser enviadas de diversos dispositivos móveis, mostrando que as pessoas têm necessidade de se comunicar a todo o momento e com muita rapidez, independente do lugar que estão.

Saber trabalhar com o relacionamento entre os seguidores ativos e os silenciosos é questão estratégica para um veículo jornalístico. Assim como os sites dos jornais foram evoluindo com o tempo, o seu perfil nos sites de redes sociais deve seguir pelo mesmo caminho.

No trânsito

A única diferença é que naquela época a evolução era mais lenta e hoje já existem inúmeros cases a serem seguidos. O perfil @transitozh, criado pela Zero Hora, atualiza seus seguidores em tempo real sobre as informações do trânsito na região metropolitana de Porto Alegre.

Através do levantamento de informações realizado por uma equipe de repórteres, pelos perfis de empresas como Concepa e EPTC e informações de seus seguidores, o canal vem ganhando destaque entre os gaúchos por prestar um serviço de grande importância com rapidez e credibilidade.

Mesmo assim, o uso da ferramenta também parece ser algo que ainda não está sendo aproveitado em sua amplitude pela maioria dos veículos, a começar pelos programas usados para publicação dos tweets nos perfis jornalísticos analisados.

As diversas plataformas usadas por Zero Hora, Estadão e O Globo indicam que há dúvida sobre qual delas deve ser utilizada. O problema de usar diversas plataformas é que os veículos não conseguem avaliar os resultados que estão obtendo com a sua presença no site de rede social.

Caso usassem o HootSuite, por exemplo, conseguiriam saber quantas pessoas clicaram nos links postados, o número de citações do perfil por outros usuários do site de rede social, número de retweets, quantos usuários entraram no site da empresa através Twitter, entre tantas outras informações.

Ao saber os assuntos mais clicados, o jornalista pode trabalhar com um maior número de tweets voltados aos temas preferidos de seus seguidores, os fidelizando e ganhando mais seguidores, pois a satisfação é revertida em mensagens positivas sobre o perfil, que se espalham aos outros usuários.

O número elevado de tweets publicados, como é o caso do G1 e do Jornal do Brasil, que postam mais de 50 mensagens por dia (o G1 chega à média de 88), também pode se tornar um problema. Com tanta atualização fica difícil do leitor acompanhar tudo na timeline do seu perfil e, com o passar do tempo, os seguidores ou deixam de seguir o veículo, ou acabam ignorando as suas atualizações.
Texto adequado ao meio

O conteúdo postado no Twitter tanto no G1 quanto no Jornal do Brasil é apenas copiar o que está no site de notícias e colar no site de rede social. O Estadão e a Zero Hora fizeram metade dos posts copiando o site, e outra metade diferenciaram as chamadas do Twitter do seu site de notícias. O Globo foi o único perfil jornalístico analisado que fez todas as chamadas dos seus tweets de forma diferenciada dos títulos das notícias do seu site.

O Twitter é um canal de informação diferente de um site de notícias, por isso exige que o formato de texto seja específico para ele, até pelo número limitado de caracteres que disponibiliza por mensagem. Deste modo, torna-se importante aproveitar o espaço disponibilizado para chamar a atenção dos seguidores com informações relevantes e usando os recursos disponibilizados pela ferramenta, como as hashtags, o replay e o retweet.

As repetições de notícias no perfil do Twitter cometidas pelo O Globo, Estadão e G1 mostram o quanto ainda falta uma atenção especial para esta rede social, visto que os posts repetidos ainda continuam no ar. O mais prejudicado são os seguidores, que recebem notícias repetidas em sua timeline, só o G1 fez isto 15 vezes na semana analisada.

Segundo Steve Johnson, em entrevista a Revista Time, possivelmente daqui há algum tempo o Twitter será sucedido por outra rede social devido a vulnerabilidade de troca que o público deste tipo de mídia possui, mas elementos-chave da plataforma vão ser preservados como a estrutura de contatos dividida em amigos e seguidores, a utilização do serviço também para propósitos informativos sustentado no compartilhamento de links e a possibilidade de busca em tempo real para acessar informações atuais.

Se ele vai ou não continuar a existir não se sabe, mas a sua forma de possibilitar o relacionamento das pessoas revolucionou de tal forma as redes sociais que está cada vez mais complexo se fazer presente sem ser notado. Cabe agora os jornais saberem utilizar essa nova rede de comunicação a seu favor e em prol de um jornalismo mais participativo e ativo na Internet.

Artigo publicado no site Webinsider.

Os meios de comunicação foram, muitas vezes, sensacionalistas e tendenciosos na apuração dos fatos relacionados aos desastres naturais ocorridos no último mês no Brasil

Desde o início do ano, parece que os assuntos relacionados ao clima mundial viraram pauta obrigatória dos jornais on-line brasileiros. Diversos vídeos e fotos do deslizamento de terra em Angra dos Reis, as fortes chuvas em São Paulo e terremoto no Haiti estamparam a capa dos grandes portais durante todo o mês de janeiro.

Uma das chamadas de capa do G1, no último domingo do mês, diz “Tremor mata 1 e fere 11 na China” 1 e  a notícia principal da Folha Online é a seguinte “Chuvas no Paraná afetam mais de 4.000 pessoas e matam três”2.

O iG usou essas duas chamadas na capa do seu portal dando destaque aos números. Já o Globo tratou dos dois assuntos de forma mais branda, sem explorar tanto os números, e trouxe informações mais detalhadas sobre a situação.

A dor é estampada de forma dramática e cruel. Close nos olhos cheios de lágrimas, flashes sobre corpos cobertos por uma lona preta e diversas reprises este tipo de cena. Fazer cobertura jornalística de forma sensacionalista em tragédias parece ter entrado como dica para atrair mais leitores nos manuais de redação dos veículos de comunicação.

Nesse artigo estou abordando a forma de noticiar da Web, mas sabemos e vemos como a televisão  é a maior oportunista de casos como esses.

Claro que os problemas causados pelo clima devem ser mostrados, mas não basta apenas explorar a dor dessas pessoas e exaltar o número de mortos. É preciso entender o porquê dessas tragédias estarem acontecendo, qual a relação disso com a destruição do meio ambiente, que medidas o governo está tomando para sanar esse tipo de problema, averiguar se as doações estão realmente chegando as áreas tingidas, entre tantas outras informações que um bom jornalista deve levar até a população.

Além disso, sempre é  importante checar os dois lados da história. Por ser um espaço mais democrático e aberto para as diferentes opiniões, se começarmos a procurar por informações na Internet sobre o terremoto no Haiti, por exemplo, veremos uma realidade do país que não aparece na televisão ou nos jornais.

Blogs trazem relatos de pessoas que há anos denunciam o abandono do país, sites de relacionamento como o Twitter e o Orkut ajudam os haitianos que estão fora do país a terem informações sobre seus parentes e amigos, sem contar a rede de solidariedade que circula nos mais diversos sites brasileiros e estrangeiros.

Susan Sontag retrata em seu livro a reação das pessoas diante fotos de guerra

A polêmica escritora e ativista americana Susan Sontag escreveu em seu livro que trata sobre fotografia de guerra, denominado “Diante da dor dos outros– Companhia das Letras, 2003”, que a realidade tornou-se um espetáculo e que “o sofrimento explode, é compartilhado por muita gente e depois desaparece”.

Segundo ela, paramos para olhar as cenas do sofrimento alheio, mas brigamos para que elas fiquem ocultas quando se refere a algum de nossos familiares.

É responsabilidade do cidadão – leitor/telespectador/ouvinte – cobrar mais da mídia sobre a apuração dos fatos e refletir o quanto está contribuindo para transformar as páginas dos jornais online e offline em meros reprodutores de imagens e textos sensacionalistas, deixando a atitude e a solução dos problemas em segundo lugar.

Na “Semana Nacional de Luta em Defesa da Formação e Regulamentação Profissional dos Jornalistas”, que aconteceu entre os dias 11 a 17 de agosto, jornalistas de todo o país foram às ruas protestar pela obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Contudo, a maioria das pessoas nem sequer soube que este protesto estava acontecendo, pois a mídia não costuma falar de si própria.

Responsáveis por divulgar as informações locais, nacionais e até mundiais, os veículos de comunicação fazem parte do cotidiano da sociedade desde 1455, quando Gutenberg inventou a prensa dos tipos móveis. De lá até os dias de hoje, a fantástica evolução das técnicas de divulgação e reprodução da notícia proporciona a comunidade o conhecimento quase que instantâneo do acontecimento.

Ilustração: Divulgação
Os jornalistas são os profissionais capacitados a obter, tratar e divulgar os fatos e, para isso, precisam obedecer a diversas técnicas, saberes e ética. Porém, nem todos são capacitados, pois não cursaram uma faculdade, não refletiram sobre as teorias da comunicação e do jornalismo e tampouco sobre a ética da profissão. Sou a favor do diploma e é por este motivo que vou dedicar este texto a mostrar o quanto é necessário ter um bom preparo intelectual, ético e técnico para ser jornalista.

As tarefas diárias de um repórter são muito mais complexas do que se imagina, visto que o grande número de pautas a serem executadas, em um curto espaço de tempo, obedecendo à ideologia do veículo para qual trabalha e, em alguns casos, a escassez de recursos e equipamentos faz o jornalista ficar frente a frente com os princípios do Código de Ética da profissão e decidir segui-los ou não.

Diversos autores debatem esta questão e nos fazem refletir sobre o trabalho destes profissionais. Para discorrer sobre o assunto, busco embasamento no livro Ética no Jornalismo, de autoria de Luciene Tófoli. O primeiro ponto a ser levantado diz respeito os critérios de seleção de uma notícia. Somente são publicados aqueles fatos cujo jornalista julga ser de importância para a sociedade. Isto é o que os profissionais costumam chamar de critérios de noticiabilidade.

O fato, para se tornar uma notícia, deve apresentar um conjunto de critérios de relevância, como o seu conteúdo, a disponibilidade de acesso do repórter ao material e/ou as fontes e ao interesse do público ao qual ela será destinada. Grande parte das redações recebe diariamente uma enorme quantidade de notícias oriundas de agências de informações, o que acaba criando uma agenda previsível das notícias que serão impressas ou irão ao ar. Cabe aos profissionais da área fazer a mediação, selecionando as informações relevantes e verificando a sua credibilidade.

Por vezes, a intimidade de pessoas pública, principalmente atrizes/atores, e cantares/cantoras, é encarada como um uma notícia de interesse da população. E como o público gosta disso! Programas televisivos correm atrás de flagrantes, fofocas e novidades sobre a vida pessoal dos famosos. Revistas dedicam páginas e páginas a fotos posadas ou tiradas sem autorização. Já não sabemos mais o que é público e o que é privado. Ou fingimos não saber. Nos locais públicos gratuitos ou pagos ninguém mais tem direito a sua privacidade.

O artigo 6° do Código de Ética do Jornalismo é claro “É dever do jornalista […] respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão”. Infelizmente é a invasão da vida privada que gera os maiores lucros para a imprensa brasileira. O mercado sempre está sedento por informações que causam polêmica. Com a inovação tecnológica o consumidor virou produtor que divulga através de fotos e vídeos na internet cenas dos famosos. O Youtube é o maio exemplo disto.

Ilustração: Divulgação
Após o advento da internet podemos perceber um fenômeno cada vez maior: o mimetismo midiático. Obrigados a produzir em larga escala e a baixo custo, alguns veículos se valem de outros, copiam as informações e as colocam no ar na sua emissora, canal, website ou página impressa. Falta tempo para investigar, confirmar com as fontes se o fato é verídico ou procurar outras que as esclareçam melhor, abordar a notícia sobre um prisma diferente, contando os vários lados da história.

E sem isto, o jornalista acaba desrespeitando o seu receptor. O Ctrl+C / Ctrl+V passa por cima do direito autoral, o qual é abordado no artigo 6° do Código de Ética “É dever do jornalista: […] IX. Respeitar o direito autoral e intelectual dos jornalistas em todas as suas formas”.

E por falar em internet, se caiu na rede já não tem mais volta. Que diga a Daniella Cicarelli e Renato Malzoni, flagrados em cenas picantes no ano de 2006 numa praia de Cádiz, na Espanha. Esse vídeo, gravado por um turista, causou tamanha polêmica que foi parar até na justiça. Mesmo depois de ser retirado ar, ele continuou a circular.

O que dizer então do reality show? O Big Brother Brasil já se encaminha pra a nona edição, sempre batendo recordes de audiência. O telespectador busca o espetáculo, ele se identifica com esta “dramatização da realidade”, quer assistir a intrigas e sacanagens, por isso são tantas as novelas que passam diariamente nos canais da TV aberta.

Alguns até podem ficar bravos ao ler esta opinião, mas são raras as exceções que trocam de canal para assistir a um programa educativo, um telejornal ou um documentário não é? Uma espiadela que seja já basta para cativar o público, que acaba se tornando fiel. Mas a culpa não é só daquele que está com controle remoto na mão, é da própria mídia que tenta satisfazer os desejos da sociedade criando, copiando e repetindo os espetáculos de pura dramaticidade que deram tão certo.

O leitor, ouvinte ou telespectador espera que os meios tenham uma função política, econômica, educativa e de entretenimento. Todavia, o que mais se espera de um veículo é o seu compromisso com a verdade. Segundo o artigo 4°, a veracidade com o relato dos fatos é um compromisso fundamental dos jornalistas. A notícia, para autores como Cremilda Medina e Nilson Lage, é um produto a venda que obedece às lógicas mercantis. E é justamente por ter de pagar pela informação que as pessoas esperam que ela seja precisa, reproduzida de forma fiel e correta.

Quando a notícia extrapola a realidade, ganhando pitadas de invenção e grandes toques de exagero cai no sensacionalismo. O primeiro jornal editado nesta linha foi o Publick Occurrences, dos Estados Unidos, o qual teve sua primeira edição publicada no dia 25 de setembro de 1690. A imprensa amarela, na definição estadunidense, ou a imprensa marrom, termo brasileiro, ganhou espaço mundial e continua sendo praticada até hoje. As conseqüências deste “falso jornalismo” são as mais diversas possíveis e disto sim sabemos que o público não gosta. Ao mentir, omitir ou inventar, o jornalista perde o seu público e estraga sua reputação.

Por isso, a apuração dos fatos deve contar com fontes credíveis, que tenham autoridade para discorrer sobre o assunto e que este seja de interesse a sociedade. Fontes estas que podem ser desde cidadãos comuns, a autoridades, entidades ou instituições. O artigo 5° do Código de Ética do Jornalismo assegura o sigilo da fonte quando esta for necessária para o exercício de sua profissão. O caso Ibsen Pinheiro e o Caso Escola Base estão aí para comprovar que a falta de fontes seguras pode acabar com a carreira e até com a vida pessoal de pessoas inocentes.

Neste item o jornalista deve estar sempre muito atento para não ser agendado pela fonte, fato que é comum quando se trata de um político. Alguns são capazes de dar tantas voltas a ponto de acabar não respondendo ao que foi perguntado e o jornalista corre o risco de acabar fazendo uma matéria que não seja de interesse público. Às vezes, pela correria do dia-a-dia ou por falta de profissionais que possam falar com autoridade sobre um determinado assunto, o jornalista opta por procurar as mesmas fontes, o que pode virar em um contato pessoal maior e atrapalhar o trabalho jornalístico.

Outras questões éticas são debatidas em relação ao exercício do jornalista, como o uso de câmeras escondidas e microfones ocultos e a falsa identidade. Segundo o Código de Ética do Jornalismo, em seu artigo 11° “o jornalista não pode divulgar informações obtidas de maneira inadequada […] salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas as outras possibilidades de apuração”.

Cabe ao meio de comunicação identificar o que realmente só será conseguido através de câmeras ocultas e de disfarce. É comum, especialmente na televisão, assistirmos matérias realizadas com câmeras ocultas, como foi à verificação feita nas farmácias sobre a venda do antiinflamatório Prexige, o qual foi proibido de ser posto a venda devido às incertezas a respeito da segurança hepática do seu uso.

Os jornalistas, por vezes, perdem o controle e passam por cima do Código de Ética da profissão, mas o receptor das informações espera que ele saiba agir de forma digna e correta aos desafios encontra no seu cotidiano. Felizmente as pessoas ainda acreditam nos meios de comunicação, pois eles são os repensáveis por informar e dar voz aos cidadãos, denunciando aqueles que não cumprem a lei e trazendo fatos relevantes para o andamento da sociedade. E ainda bem que existem muitos profissionais diplomados e éticos capazes de comunicar de forma verdadeira e apurada os fatos.

Opinião publicada no site Novohamburgo.org

A Semana da Comunicação da Unisinos movimentou os corredores, as salas de aulas, as tendas e os estúdios de TV e rádio do Centro 3, assim como os auditórios, mini-auditórios e o anfiteatro do campus. O evento, que aconteceu entre os dias 2 e 6 de junho, comemorou os 35 anos dos cursos de comunicação da universidade.

O II Seminário de Comunicação Social da Região Metropolitana e Vale dos Sinos, ocorrido na tarde de quarta-feira (04/06) no Auditório Pe. Bruno Hammes, foi o evento mais esperados da semana, depois da palestra do MST. O espaço ficou lotado e contou com uma grande participação dos alunos de jornalismo.
Professores e profissionais da área de Comunicação Social expuseram, em cinco painéis, os desafios da comunicação municipal e a importância das Assessorias de Imprensa das Prefeituras.

Comunicação estratégica

O professor Pedro Luiz da Silveira Osório mediou o seminário, que iniciou com o painel Como promover a comunicação integrada nas assessorias de comunicação das prefeituras em sintonia com o governo municipal? Segundo a palestrante Tânia Almeida, professora da Unisinos, a comunicação precisa estar integrada com a gestão da prefeitura, pois ela é uma atividade meio. “Quando se está no poder público, não se pode perder a noção de política, do compromisso com a sociedade. A gestão pública é muito dinâmica, por isso, o setor de comunicação deve planejar diversas ações estratégicas”, afirma.

Contudo, a jornalista aconselha os assessores a deixar bem claro aos prefeitos e secretários que a comunicação não faz milagres. “Noticiamos os eventos, mas a capacidade de persuasão não é controlada. Não fazemos milagres, fazemos comunicação, não temos o controle de tudo”, diz Tânia. A professora trouxe dois exemplos, uma campanha de obras e um projeto institucional, para ilustrar a sua exposição.

A publicidade da prefeitura na capital gaúcha

A Coordenadora de Publicidade da Prefeitura de Porto Alegre, Aline Kusiak, fez uma apresentação muito sucinta e rápida sobre Quais as vantagens do departamento de publicidade nas assessorias de comunicação das Prefeituras?

Mesmo confessando seu pânico de falar em público, Aline discorreu sobre o desafio de comunicar um milhão e 400 mil pessoas de uma forma transparente e eficiente. “Temos que saber como usar bem a verba da publicidade. A escolha da mídia baseia-se naquela que tem a maior circulação e que traga um grande retorno”, explicou a publicitária.

Jornalismo político

Após o vergonhoso coffee breack, momento em que todo o público atacou com selvageria a mesa dos salgadinhos e doces no hall de entrada do auditório, iniciou o painel mais esperado da tarde. A jornalista Rosane de Oliveira, colunista de política do jornal Zero Hora e comentarista da TVCOM, falou sobre Como fazer comunicação em ano eleitoral?

Segundo a jornalista, seu foco de trabalho é a independência. O seu blog é o segundo em número de comentários do portal Clic RBS. “No jornal impresso e no blog me sinto livre para criticar ou elogiar e escolher os assuntos dos quais vou falar. Diferente do que acontece na televisão e no rádio, mídias onde fico o tempo inteiro na corda bamba, ponderando a cada palavra.”, desabafa Rosane.

Diversas dicas foram passadas pela jornalista. “Estar na assessoria de comunicação de uma prefeitura ou empresa não significa mandar release para todo mundo, você deve saber para qual público está falando”. Rosane também aconselhou os comunicadores a nunca mentir, a facilitar o acesso do jornalista a assessoria e cuidar dos detalhes. “Por mais que trabalhamos em processo industrial, devemos ter atenção aos detalhes. Se algo sair errado em um release, por exemplo, ele é colocado no lixo e sua informação não é publicada”, explica.

A assessoria de comunicação, na visão de Rosane, é mais ampla do que parece “Às vezes o mais importante não é sair no jornal, comunicação não é publicidade. Devemos pautar o que vai de encontro ao interesse do leitor e não o que os políticos querem”. O fundamental, segundo ela, é informar a comunidade. O assunto política não é fácil de ser passado à população, por isso, a jornalista aconselha usar uma linguagem acessível nos meios de comunicação.

Para encerrar, Rosane mostrou o quanto os profissionais da comunicação são importantes para o leitor na época de eleições. “Na falta de quem recorrer, as pessoas procuram a imprensa. Está faltando na mídia às soluções para os problemas, os jornalistas devem chegar ao limite. Quanto mais discutirmos, mais o eleitor vai saber em quem votar”, finaliza.

Informação com criatividade

Fabrício Carpinejar, coordenador do curso Formação de Escritores e Agentes Literários, animou o seminário com o seu jeito irreverente. De unhas pintadas de preto e óculos amarelos, falou alto ao microfone. Ganhou a simpatia da maioria e o descontentamento de outros.

Ao falar sobre Tendências da comunicação, ele mostrou o quanto o mediador pode ser criativo. “Não é o espaço que te define, você que cria o espaço. O seu público nasce com o texto”, afirma. Durante todo o painel, defendeu a escrita criativa e o bom humor. Contrariando o aprendizado em sala de aula, Carpinejar aconselhou os alunos a se envolverem com as fontes e defendeu que todo texto é autoral.

Segundo Carpinejar, todo jornalista deve ter um blog, mas não para usá-lo como diário e sim, como um espaço de treinamento da escrita e da criatividade. “O jornalista precisa de um tempo autoral”, defende.

Famurs em pauta

O último painel fez muitas pessoas irem embora. Sandra Domit, jornalista e assessora de comunicação da Famurs, se propôs a falar sobre Os desafios da comunicação municipal. Contudo, se deteve muito a explicar como funciona a empresa para qual trabalha e a contar sua autobiografia.

Balanço

Algumas palestras ficaram lotadas e deixaram muitos interessados sentados no chão ou do lado de fora. Faltou à presença de jornalistas de outras empresas, quase só compareceram profissionais da RBS. O mascote do evento, o elefante Tunico, não agradou muito e passou a ser visto como sem graça e infantil. A organização e a divulgação deixaram a desejar.

Mesmo assim, o saldo final da Semana da Comunicação foi positivo. Dificilmente temos a oportunidade de debater a comunicação na Unisinos com profissionais da área. De graça e valendo horas complementares então, é algo mais raro ainda.

Acompanhe alguns momentos do seminário.

Foto: Daniela Machado
fotos-077.jpgA Aula Inaugural dos cursos de Comunicação Digital, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Realização Audiovisual e Relações Públicas contou com uma atração “global”. Em comemoração aos 35 anos do curso de Comunicação Social da Unisinos, o jornalista e apresentador do Fantástico, Zeca Camargo ministrou uma palestra sobre comunicação e entretenimento na terça-feira (18/03), no Anfiteatro Padre Werner.

O evento denominado Em sintonia com Zeca Camargo, iniciou às 20h, mas uma hora antes as portas do anfiteatro foram abertas e, em menos de meia hora, os 700 lugares foram ocupados por estudantes de diversos cursos da Unisinos e de outras universidades da Região Metropolitana. Cerca de 1300 pessoas esperavam ansiosamente o jornalista. Um telão foi instalo do lado externo do anfiteatro para aqueles que não conseguiram uma vaga na platéia.

Foto: Daniela Machado
fotos-051.jpgAntes do bate-papo com os alunos, Zeca Carmargo participou de uma coletiva de imprensa que contou com a presença de veículos como a TV Unisinos, o Jornal VS, Zero Hora, Revista Versatile, Revista Solto Colegial e J.U. Online.

As 19h53min o jornalista subiu ao palco e foi recepcionado e apresentado ao público pela coordenadora da Graduação da Unisinos Paula Caleffi, acompanhada pelo coordenador do curso de Jornalismo Edelberto Behs e pelo Pró-reitor Administrativo Célio Wolfarth. Voltaire Danckwardt, coordenador do curso de Realização Audiovisual, mediou a Aula.

Veja alguns vídeos e fotos da Aula Inaugural!

Durante 40 minutos o jornalista falou sobre sua trajetória profissional, os quadros do Fantástico e deu algumas dicas para os alunos. Depois, foi aberto espaço para o público fazer perguntas.

Nascido em Uberaba, Zeca Camargo, 44 anos, cursou Administração de Empresas e Publicidade e Propaganda, além de ter se dedicado durante nove anos à dança. “Nos anos 80 tratei do corpo e nos 90 da cabeça, mas essa formação eclética ajudou no desempenho do meu trabalho”, confessa.

Foto: Daniela Machado
fotos-057.jpgSua primeira experiência profissional foi no jornal Folha de São Paulo, em 1987, no qual chegou a ser editor do caderno de cultura Ilustrada. Mais tarde, participou do processo de quinzenização da Revista Capricho.

Mas, o primeiro trabalho na televisão foi como apresentador da MTV. “Na MTV eu podia errar bastante, a gente gravava quantas vezes fossem necessárias. Com isso, aprendi muito”, confessa.

Quando trabalhava na TV Cultura de São Paulo, o jornalista foi convidado a ingressar no Fantástico, da Rede Globo, como repórter. Já são 12 anos dedicados ao programa e hoje exerce os cargos de apresentador e editor-chefe. “Quando fui convidado pelo diretor Luis do Nascimento a trabalhar no Fantástico fique muito assustado. Agora não falaria mais só com o jovem, mas também com seus pais, avós, irmãos, tios e agregados da sua família”, desabafa.

Zeca Camargo acredita que o Fantástico é um grande tubo de ensaio “O Fantástico é constantemente renovado, ele possui uma liberdade de formatos e ao mesmo tempo, é a audiência que manda na sua programação”, diz.

Nesses vinte anos de profissão, o jornalista já de uma volta completa ao mundo e aprendeu quatro idiomas, além de ter escrito seis livros, entre eles A Fantástica Volta Ao Mundo: registros e bastidores de viagem (2004), 1000 Lugares Fantásticos no Brasil (2006), De A-Ha a U2: os bastidores das entrevistas do mundo da música (2006) e Novos Olhares (2007).

Prêmios

Foto: Daniela Machado
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Com o programa No limite, Zeca Camargo recebeu o prêmio de Melhor Programa de 2000 da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), em abril de 2001. No mesmo ano, foi agraciado com o prêmio Unesco de Educação pelo quadro Altos Papos, do Fantástico. Em 2004 ele e a apresentadora Renata Ceribelli receberam o prêmio de Melhor Programa Jornalístico pelo Fantástico.

Dicas aos futuros jornalistas

Os alunos de jornalismo foram os maiores beneficiados com a palestra. O jornalista deu diversas dicas aos estudantes. “A nossa função é transmitir informações as pessoas e existem diversas maneiras para realizar essa ponte. O grande barato é surpreendê-las, saber fazer diferente, torna a notícia algo interessante”.

Foto: Daniela Machado
fotos-040.jpgZeca Camargo defende a credibilidade da informação. “O bom jornalista tem que correr atrás da informação e desconfiar de tudo. Ele deve ser o mais transparente possível, claro, objetivo e, sobretudo honesto. Se ele assim o fizer, vai ter credibilidade perante as pessoas”.

Para finalizar, o jornalista falou sobre a internet. “A internet é um espaço infinito para as pessoas, mas para você entrar nela tem que estar aberto a tudo.” Zeca Camargo possui um portal, onde se encontram informações de sua carreira, viagens realizadas e entrevistas. Além disso, ele escreve sua opiniões em um blog no site G1.