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Os meios de comunicação foram, muitas vezes, sensacionalistas e tendenciosos na apuração dos fatos relacionados aos desastres naturais ocorridos no último mês no Brasil

Desde o início do ano, parece que os assuntos relacionados ao clima mundial viraram pauta obrigatória dos jornais on-line brasileiros. Diversos vídeos e fotos do deslizamento de terra em Angra dos Reis, as fortes chuvas em São Paulo e terremoto no Haiti estamparam a capa dos grandes portais durante todo o mês de janeiro.

Uma das chamadas de capa do G1, no último domingo do mês, diz “Tremor mata 1 e fere 11 na China” 1 e  a notícia principal da Folha Online é a seguinte “Chuvas no Paraná afetam mais de 4.000 pessoas e matam três”2.

O iG usou essas duas chamadas na capa do seu portal dando destaque aos números. Já o Globo tratou dos dois assuntos de forma mais branda, sem explorar tanto os números, e trouxe informações mais detalhadas sobre a situação.

A dor é estampada de forma dramática e cruel. Close nos olhos cheios de lágrimas, flashes sobre corpos cobertos por uma lona preta e diversas reprises este tipo de cena. Fazer cobertura jornalística de forma sensacionalista em tragédias parece ter entrado como dica para atrair mais leitores nos manuais de redação dos veículos de comunicação.

Nesse artigo estou abordando a forma de noticiar da Web, mas sabemos e vemos como a televisão  é a maior oportunista de casos como esses.

Claro que os problemas causados pelo clima devem ser mostrados, mas não basta apenas explorar a dor dessas pessoas e exaltar o número de mortos. É preciso entender o porquê dessas tragédias estarem acontecendo, qual a relação disso com a destruição do meio ambiente, que medidas o governo está tomando para sanar esse tipo de problema, averiguar se as doações estão realmente chegando as áreas tingidas, entre tantas outras informações que um bom jornalista deve levar até a população.

Além disso, sempre é  importante checar os dois lados da história. Por ser um espaço mais democrático e aberto para as diferentes opiniões, se começarmos a procurar por informações na Internet sobre o terremoto no Haiti, por exemplo, veremos uma realidade do país que não aparece na televisão ou nos jornais.

Blogs trazem relatos de pessoas que há anos denunciam o abandono do país, sites de relacionamento como o Twitter e o Orkut ajudam os haitianos que estão fora do país a terem informações sobre seus parentes e amigos, sem contar a rede de solidariedade que circula nos mais diversos sites brasileiros e estrangeiros.

Susan Sontag retrata em seu livro a reação das pessoas diante fotos de guerra

A polêmica escritora e ativista americana Susan Sontag escreveu em seu livro que trata sobre fotografia de guerra, denominado “Diante da dor dos outros– Companhia das Letras, 2003”, que a realidade tornou-se um espetáculo e que “o sofrimento explode, é compartilhado por muita gente e depois desaparece”.

Segundo ela, paramos para olhar as cenas do sofrimento alheio, mas brigamos para que elas fiquem ocultas quando se refere a algum de nossos familiares.

É responsabilidade do cidadão – leitor/telespectador/ouvinte – cobrar mais da mídia sobre a apuração dos fatos e refletir o quanto está contribuindo para transformar as páginas dos jornais online e offline em meros reprodutores de imagens e textos sensacionalistas, deixando a atitude e a solução dos problemas em segundo lugar.

Idolatria desniveladaO orgulho de ser brasileiro e o amor pelo Rio Grande do Sul são sentimentos característicos do mês de setembro. No dia 7 comemoramos a Independência do Brasil e no dia 20 a Revolução Farroupilha. Mas o que fica mais evidente nestas datas é a preparação que se dedica a cada uma delas.

Fui ao centro de Novo Hamburgo acompanhar o desfile de 7 de Setembro e fiquei decepcionada com o que encontrei. Havia mais bandeiras e panfletos de candidatos a vereador e prefeito do que patriotas desfilando. O brilho do sorriso das crianças ofuscou-se devido à aglomeração daqueles que ali estavam somente para fazer propaganda política. O som em ritmo de marcha ficou abafado pelos jingles. O dia cívico foi desrespeitado mais uma vez.

Atualmente muitas pessoas vêem o dia 7 de Setembro apenas como mais um feriado, esquecendo o seu real significado. E o pior, só lembram que a data está se aproximando devido a algum colega de trabalho que perguntou o que faria no feriado ou quando percebe que os ônibus estão com uma faixa verde e amarelo atravessada no vidro dianteiro.

O amor pela pátria, a alegria de comemorar a independência e o orgulho de ser brasileiro estão sendo esquecidos. Apenas as crianças e alguns idosos se emocionam com o desfile, com a marcha e com as mensagens que são passadas. Em contrapartida, o dia 20 de Setembro é idolatrado pelos gaúchos.

Um mês antes da data os tradicionalistas já estão organizando acampamentos pelo Estado, tertúlias, andando pilchados, ensaiando danças, etc. e tudo regado a muito chimarrão.

As escolas desenvolvem diversas atividades com os alunos na Semana Farroupilha, os motivando a conhecer mais sobre a história do Rio Grande do Sul, a tradição e a cultura. A maioria dos gaúchos sabem na ponta da língua o Hino Rio-Grandense e as tradicionais canções “Céu, Sol, Sul” e “Querência Amada”. Mas se formos falar do Hino Nacional as coisas complicam, dos clássicos da MPB então, o conhecimento é muito baixo.

Precisamos refletir mais sobre a nossa identidade. Cultuamos o local e esquecemos o nacional. E, mesmo assim, as comemorações das festividades locais são lembradas apenas um tempo antes de acontecerem, durante, e quase nada depois. Elas passam praticamente o ano inteiro esquecidas. Claro que isso não acontece para os verdadeiros tradicionalistas, aqueles que fazem parte de um Centro de Tradições Gaúchas, por exemplo.

A falta de incentivo dos pais, a escassez de informações na escola, os novos cultos e modismos que surgem quase diariamente na sociedade, a mídia e tantos outros fatores vão transformando nosso sentimento de pertença e modificando nossos valores.

Ficam as perguntas: Somos gaúchos ou brasileiros? Somos mesmo independentes? Não estamos trocando personagens históricos por novos ícones? Não estamos invertendo os valores destas datas? Estamos transformando a Semana Farroupilha em uma nova data Capitalista?

Cabe a cada um escolher aquilo que mais lhe agrada, mas nunca esquecendo as suas raízes, do orgulho de ser brasileiro e gaúchos. Ter identidade mostra o quanto o sujeito tem personalidade e é único. A sociedade está cada vez mais carente de cidadãos que respeitem a história do país, a cultura e a as pessoas que fazem parte deste solo, da pátria amada chamada Brasil e do nosso querido Rio Grande.

Fotos: Daniela Machado
Opinião publicada no site Novohamburgo.org

Foto: Daniela Machado

A luta pela ética na política e pelos direitos dos cidadãos já fez milhares de estudantes saírem das salas de aula e invadirem as ruas desse país. Os movimentos estudantis existem no Brasil desde a época da escravidão, mas foi só a partir da criação da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 13 de agosto de 1937, que esses jovens começaram realmente a lutar pela democracia e pela justiça social no Brasil.

Desde então, a UNE participou de diversos movimentos importantes como a manifestação contra o regime nazi-fascista que se instaurou no país com o Estado Novo. Também exigiu uma posição do Brasil contra o Eixo durante a Segunda Guerra Mundial e lutou pelo fim da ditadura Vargas.

Em 1947 a UNE aderiu à campanha O Petróleo é Nosso e nos anos 60, somada às representações estaduais de estudantes universitários, se posicionou ao lado dos movimentos populares.

Querendo mudanças, os movimentos estudantis criam os Centros Populares de Cultura e levam as discussões dos problemas sociais brasileiros a diversas regiões do país através do teatro, do cinema e da música.

A União Nacional dos Estudantes ficou ao lado do presidente João Goulart na greve geral de 1962 e lutou pela reforma educacional. Mesmo com a Ditadura Militar instaurada em 1964, os estudantes continuam, na ilegalidade, reivindicando por uma sociedade mais justa e igualitária.

A decretação do Ato Institucional Número 5 (AI-5) fez calar os movimentos estudantis até o final dos anos 70, quando os jovens voltaram às ruas para lutar pela anistia e pela instauração do regime democrático.

Em 1985 a UNE retorna à legalidade e os grêmios e centros estudantis ressurgem. Mas o último e maior movimento estudantil do país foi a Manifestação dos Caras Pintadas, ocorrida no ano de 1992. Nesse ato, os estudantes manifestaram-se a favor do impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello, pintaram o rosto e se posicionaram contra a corrupção na política.

Novos rumos

O movimento estudantil brasileiro acordou neste ano. A invasão da reitoria da Universidade de Brasília (UnB), no dia 15 de abril, resultou na renúncia do então reitor Timothy Mullholand, suspeito de usar indevidamente os recursos públicos da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) para equipar o apartamento funcional em que morava.

Mas ainda é muito pouco. Segundo o jornal Folha de São Paulo as pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis com 8.000 jovens de 15 a 24 anos, demonstrou que apenas 3% dos estudantes participam de associações estudantis.

Para que o movimento estudantil continue sendo um local representativo para os jovens estudantes se faz necessário um maior engajamento de todos. Os ideais precisam sair do mundinho isolado de cada um e se expandir, unindo-se a tantos outros por uma causa maior. Espaços como o D.A, DCE e Grêmios Estudantis devem ser melhor aproveitados.

Por comodidade, falta de tempo ou medo, os jovens ficam acuados e acabam tornando-se pessoas passivas e sem opinião sobre os acontecimentos do cenário político nacional. Está mais do que na hora do movimento estudantil tomar novos rumos. Caso contrário, tudo vai continuar acabando em pizza.