A caravana da alegria vai para a praia em busca de diversão e muita incomodação

Nesta semana, estamos vivendo a véspera do feriadão de Carnaval (que de feriado não tem nada, já que é ponto facultativo). Mesmo assim, seu chefe resolveu fazer um agrado para os funcionários e liberou todo mundo até a próxima terça-feira. Nesse meio tempo, você já trocou mais de 50 e-mails com os amigos para falar da programação do final de semana. O destino escolhido da sua galera – e de outros 170 mil gaúchos – não poderia ser diferente: praia.

Chega à sexta-feira. Você já vai trabalhar com a mala feita, nem que para isso precise ficar arrastando ela em meio às pessoas que pegam o trem e o ônibus. O relógio parece não andar, mas assim que chega às 18h você já está na frente da empresa esperando a carona. E lá se vai a sua caravana da alegria encarar a peregrinação de, no mínimo, 4h até a praia.

Se não bastasse o estresse do motorista com o arranca e para da BR 116 e da Freeway, os passageiros comem salgadinhos e bolachas e enchem o carro, que estava limpinho, de farelo amarelo. A viagem parece não ter fim! Você está super apertada e o pedágio não chega nunca. Cansada do longo e interminável dia de trabalho, louca para tomar um banho e comer um prato abarrotado de comida, ainda precisa encarar a fila do banheiro. Assim começa mais uma peregrinação.

Depois de meia hora na fila e de abrir todos os botões possíveis da calça na tentativa de encontrar um pouco de alívio, você é a próxima. Nesse momento, surge uma mãe  que entra correndo com o filho no colo e para na sua frente. A idosa, que vem mais atrás, se coloca na frente da mãe. E aí se vão mais 10 minutos. Quando você finalmente entra no mictório, lembra- se  que na afobação deixou o papel higiênico dentro da mala. A essa altura resta pensar “Azar”.

A turma finalmente chega à praia e descobre que a casa alugada pela internet parece bem menor que as fotos do anúncio, o chuveiro não tem box, os colchões são mais duros que a vida e o terreno ao lado é baldio e está cheio de poças d’água cheias de mosquito. Mas você ignora tudo, afinal é Carnaval!

Durante os próximo quatro dias você enfrenta fila para disputar 1m² na areia, fila no chuveirinho da praia, fila para comprar um saco de pão na padaria da esquina, fila no supermercado, fila na farmácia, fila para entrar no R$1,99, fila no bazar, fila no crepe, fila no Xis, fila na barraquinha de bebidas da avenida, enfim em todos os lugares que você se aventurar. Nessas filas, você já encontrou umas 20 pessoas conhecidas, levou uns 30 pisões no pé e esbarrou em outros 40 veranistas.

Enquanto isso, na casa alugada, você se irrita com os casais que ocuparam os quartos, pira ao ver todos os copos e pratos da casa sujos na pia e ninguém nem aí para lavá-los, enlouquece ao tentar ler um livro enquanto um amigo estoura os ouvidos de todos com o funk que colocou no carro, e se estressa com aquele namorado mala da sua amiga que se tranca todas as manhãs no banheiro.

Depois de viver todas essas experiências, está na hora de voltar para casa e enfrentar novamente a peregrinação dos veranistas carnavalescos. Você chega ao seu lar doce lar  e a primeira coisa que faz é tomar um banho no seu chuveiro e se atirar na sua cama. Nessa hora, não há como evitar o suspiro de “como é bom voltar”.

A todos que vão enfrentar tudo isso e muito mais, bom Carnaval!

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