Vitória, o pincher caramelo

Até pouco tempo atrás não compreendia o real significado das dores da velhice. Não falo das dores físicas, mas sim, do quanto é sofrível aceitar que você está se encaminhando para a reta final da sua vida.

Por incrível que pareça a minha inseparável cadela, uma pincher chamada Vitória, me deu uma grande lição. Há dez anos ela faz parte da família e foi conosco que aprendeu a se virar (subir as escadas sozinha, entrar no carro e cuidar do seu filhote) e também a ter manias (ficar emburrada quando está de coleira, arranhar a porta quando quer algo e fingir que engole os remédios).

Quando pequena, corria enlouquecidamente atrás da sua bolinha, aparecia em segundos ao ser chamada e passava mais tempo fazendo arte do que qualquer outra coisa. Hoje, ela logo cansa ao dar uma corridinha, dorme mais de 12h por dia e não vai mais atrás da sua bolinha, já que perdeu 70% de sua visão.

Como sei que ela sofre? O olhar nuca mente, seja de uma pessoa, ou de um animal. Sei que ela se frustra ao acordar e sair batendo a cabeça pela casa, precisar de ajuda para descer as escadas e ser obrigada a tomar um remédio todos os dias para não ter convulsões. E eu? Frustro-me junto, já que não posso fazer muita coisa para mudar a situação, a não ser ajudá-la com as tarefas rotineiras.

Usei o exemplo de um cão, pois acompanhei seu nascimento, seu auge e sua decadência. Através dele vi quanto a vida é curta e frágil, e como ela se acaba rapidamente diante de nossos olhos. Vemos os seres que amamos, sejam  pessoas ou animais, partindo aos poucos  e, geralmente, só nos damos conta disto quando já é tarde demais.

Foi assim que descobri o quanto envelhecer dói. Dói ver que você já cumpriu boa parte da sua trajetória. Dói ter que dizer adeus. Dói saber que o amanhã pode não chegar. Dói não ter nem tempo de se despedir.

comentários
  1. MARIA APARECIDA disse:

    Muito bom este texto, eu que sei o quanto dói, mas sempre tem um aprendizado, cada dia uma experiência nova, algo para ser somado em nossa vida.

  2. Kássia Souza disse:

    Dói mesmo… É dar-se conta de que tudo e todos tem um fim… Quando a gente sabe que o fim está o próximo, ajudar que ele seja o mais bonito possível é uma forma de ir se despedindo aos poucos…

  3. Fernanda Machado disse:

    Adorei o texto, Dani.
    Concordo com cada vírgula que escreveu. 🙂

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