Ser Pai…

Publicado: 12/08/2008 em Opinião
Tags:, , , , ,

Se ser mãe é padecer no paraíso, o que é ser pai? Segundo o dicionário Michaelis: “Pai – 1 Homem que gerou um ou mais filhos em relação a estes; genitor; homem colocado no primeiro grau da linha ascendente de parentesco. 2 Animal macho que gerou outro. 3 Benfeitor, protetor. 4 Criador, fundador. 5 Cacique, morubixaba.”

Cá estamos nós, em agosto, Mês dos Pais, esta figura masculina que para alguns filhos é um herói e para outros uma pessoa que esteve à vida inteira ausente. Todos os dias vejo mulheres carregando filhos no colo ou os segurando pela mão. O que fazem? Levam ao médico, a escola, ao parque. Aquelas que são menos favorecidas financeiramente, entram em filas para ganhar uma cesta básica ou remédios.

Foto: Site novohamburgo.org
Ano passado tive a oportunidade de ajudar na distribuição de materiais escolares e roupas para famílias carentes na Escola Municipal Tancredo Neves, localizada no bairro Canudos. Chegando lá me deparei com diversas filas compostas unicamente por mulheres. Enquanto isso, as crianças brincavam no pátio com os voluntários.

A primeira pergunta que me fez foi “Onde estão os pais? Só compareceram as mães!” Mães estas que levaram roupas e calçados aos filhos e, lógico, aos maridos. Perguntei a uma amiga que faz psicologia na Unisinos o porquê dos homens não estarem presentes naquele local e ela rapidamente me respondeu “A mãe é a Rainha do Lar. O pai não sabe nem qual número de calça ele veste, quanto mais o tamanho dos seus filhos.” Então percebi a grande diferença entre o que é ser pai e o que é ser mãe.

O posto de pai há alguns anos atrás significava o ser que tinha a função de sustentar a casa e os filhos, enquanto a mãe era a responsável por cuidar do lar e das crianças. Hoje os papéis se igualaram, porém, ainda existem muitas mães que chegam em casa à noite e fazem todas as tarefas domésticas. E o pai? O pai tem por função realizar pequenos ajustes hidráulicos, elétricos e mecânicos que possam vir a atrapalhar a rotina da família.

Claro que não devemos generalizar, conheço pais que assumiram o posto de mãe, ou porque a mulher faleceu ou porque ela abandonou a família. E estes homens guerreiros estão cuidando dos filhos e fazendo todo o trabalho doméstico. Por isso, podemos dizer que toda mãe é um pouco de pai e todo pai é um pouco de mãe. Contudo, nos dias de hoje, o valor que é atribuído ao pai é muito inferior se comparado a função da mãe.

Por mais que muitas crianças são criadas apenas pela figura materna, elas sentem falta daquele carinho que só o pai sabe dar. Seja em um sorriso de cumplicidade “Não conta que eu quebrei o copo tá?”, seja naquele abraço cheio de orgulho quando o filho tira uma boa nota na escola “Esse é meu garoto!” ou “Essa é a minha garota!”

Porque pai também é sinônimo de muitas coisas boas. Quem tem um pai presente sabe o quanto ele é importante para a sua formação como pessoa. Quem não tem esse privilégio, vive a vida com um grande vazio.

O pai muitas vezes impõe mais limites e é mais enérgico, mas também é aquele que faz mais bagunça com o filho, incentiva a praticar um esporte ou a tocar algum instrumento, ensina a pescar, nadar, correr, andar de bicicleta. É ele que faz os curativos, ensina ao filho que “Homem não chora!” e a filha que a mulher tem que se valorizar “Você só pode começar a namorar depois dos 30 anos!”

Foto: Site novohamburgo.org

Ter um pai é ter um grande amigo, com quem você pode contar para todas as horas. O que faz um sujeito dizer que tem ou teve um pai são as atitudes deste homem. Pai de verdade é aquele que resolve problemas em relação ao filho e não os empurra para a mãe. Ele dá bons exemplos e educa. Aconselha o filho na tomada de decisões e se impõe quando é preciso e não passa a mão na cabeça quando se faz algo errado, mas sim ensina o filho a seguir pelo caminho correto.

Pai é aquele que faz bagunça, brinca, sorri, grita da arquibancada do jogo de futebol “Vai lá filhão!” ou se emociona na apresentação de dança da filha “Essa é minha princesinha…” E não importa se ele é o pai biológico ou adotivo. Isto é ser pai presente, atuante, o homem que a mulher escolheu para ocupar este posto e constituir uma linda família.

Eu tive a sorte de ganhar um pai amigão, o meu companheiro de todas as horas. Pai Jorge, obrigada por existir e ser o meu pai!

A todos os pais e mães que também são pais: Feliz Dia dos Pais!

Opinião publicada no site Novohamburgo.org

Anúncios
comentários
  1. Ânderson disse:

    Oi, Daniela. Tava fazendo uma pesquisa sobre a Luciene Tófoli e acabei parando num dos teus posts. Coincidentemente (ou não) também faço jornalismo na Unisinos e estava buscando referências da autora para a cadeira de Ética, Legislação e Crítica da Mídia. Vi que tu fala até sobre o McLuhan, o cara que embasou grande parte do meu TCC. Achei teus textos legais, tu escreves bem – o que é raridade entre os novos jornalistas. É isso aí, beijo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s