Sou a Daniela Cristina Machado. Tenho 20 anos e estou no 5ª ano de Jornalismo na Unisinos. Jornalismo? Sim, a paixão pela Comunicação iniciou cedo. Todavia, isso não vem ao caso. Por muitas vezes tentei iniciar um blog, sempre com aquela idéia de diário On-line. Mas, dessa vez será diferente. Este blog será um espaço para a publicação das minhas produções escritas e audiovisuais.

Pedaço da alma

Após passar por um grande portão de ferro marrom e três portas de madeira, encontro um lugar totalmente meu. Em cada poro das quatro paredes existe um pouco de mim, do que sou e sinto. Um ambiente pequeno, claro, alto, com cheiro de jasmim e cheio de vida.

Ao amanhecer, as frestas da única janela existente deixam os raios de sol penetrar naquele universo, consumindo com a escuridão e funcionando como um relógio. Quando os delgados filetes de luzes atingem a maçaneta da porta já passou mais que a hora de levantar. Os móveis em tons pastéis estão dispostos de maneira estratégica a permitir uma leve circulação ao seu redor. Os objetos são encontrados as dúzias. Muito coloridos e com desenhos infantis, transparecem em suas formas que pertencem a uma menina-mulher em fase de transição.

Livros na cabeceira da cama, tapete no chão, estrelas no teto, quadro de autoria própria sob a televisão. Risos, choros, pessoas, solidão, revolta e realização jazeram por ali, assim como o incontrolável tempo. O vento que balança a escura cortina faz o local ficar em paz consigo mesmo. Aparelhos eletrônicos misturam-se com antiguidades e com uma memória adormecida. Cada peça do parquê dá forma a um quebra-cabeça e deixa a imaginação, daquela que por ali sempre pisa, viajar a outras galáxias.

Às vezes, as paredes insistem enlouquecidamente em trocar a roupagem branca pela azul.

Em raros momentos, querem dar longos passos para trás e construírem um mundo maior. A cama de solteiro por hora gostaria de duplicar-se e invadir o corredor. O guarda-roupa se realizaria com um volume extraordinário de peças contido em seu interior. A lâmpada sob a cabeceira exige ser chamada de abajur. O rack põe em alerta quando é cogitada a idéia de seu descarte. O chão sonha em ser coberto por um carpete.

Felizmente, estes súbitos instantes acontecem esporadicamente, a ponto de nunca saírem do sonho e virar realidade. Os retratos dispostos em todos os lugares revelam a identidade de um ser que por ali busca um abrigo. O material constituinte daquelas muralhas parece de papel. O som vindo de animais, goteiras e conversa dos vizinhos invade sem reluta o recinto.

Esse quadrado mágico que me traz o dia, também revela um local ainda mais lindo lá fora. A janela me permite ter a visão da natureza, misturada às outras casas, pessoas e meios de transporte. A sua largura é suficiente para me aconchegar sentada. Sozinha, com as penas dependuradas, fixo-me sobre seus frisos e equilibro meu corpo. Gosto de passar breves momentos ali.

O pequeno pedaço do céu, chamado quarto, é também parte da alma. Sinto-me aconchegada neste formoso espaço. Se ficar por muitas horas em seu interior, ele vira uma prisão. Se passo longos dias afastada, a saudade bate forte no coração.

comentários
  1. fabiana disse:

    Sensivel, linda, maravilhosa…
    bjs

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