O 3D invade o mundo real
Empresas estão utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada para promover seus produtos.
Faz tempo que o mundo real mudou e se mesclou ao virtual. Mas quando imaginávamos que objetos do mundo virtual poderiam interagir com as pessoas através de artefatos do mundo real, assim como mostram alguns filmes de ficção científica? Pois bem, a Realidade Aumentada ou RA está aí para comprovar que isso é possível.

Mobile é usado para ações de RA
O seu funcionamento é simples. Através do reconhecimento de um símbolo o software processa a imagem captada pela webcam, reconhece os dados e disponibiliza o objeto virtual feito em 3D na tela do computador.
A tecnologia surgiu através de uma área das Ciências da Computação criada por pesquisadores para interagir com elementos virtuais. Em 1975, Myron Krueger tornou a ideia possível ao criar um laboratório de realidade virtual, chamado “Videoplace”. O termo realidade aumentada foi cunhado por Tom Caudell enquanto ajudava trabalhadores a montar cabos em um Boeing.
Cases de sucesso
Mas a primeira interação com o usuário final aconteceu apenas 2007, quando a Sony criou o jogo The Eye of Judgment para o Playstion 3. Desde então, o barateamento das webcams e o uso constante da tecnologia pelas agências de publicidade tornou a realidade aumentada popular. Hoje já não é mais novidade para aqueles que sempre estão interados com as novidades do mercado digital.
Diversos cases de sucesso podem ser citados. Um deles foi a ação Sweet Chili da Doritos, desenvolvida pela CuboCC, para promover o sabor pimenta do salgadinho. A interação virtual se dava com embalagem do produto que vinha com um símbolo. Quando apontado para uma webcam, um Doritos Lover (monstrinho) aparecia na tela e ficava pulando e mostrando seus poderes. Após fazer o registro do personagem no site, ele poderia ser divulgado no site de relacionamentos Orkut e visitar outros Lovers.
A realidade aumentada integrada com as redes sociais
Assim como a Elma Chips, outras empresas estão usando a tecnologia para promover seus produtos e as fazem integradas com campanhas em redes sociais e mídias tradicionais. É o caso do Agile, o novo carro da Chevrolet. Diversas agências estão trabalhando em conjunto para a divulgação do lançamento do carro, entre as ações está um hotsite onde o usuário interage com o Agile usando a tecnologia da realidade aumentada. Ao entrar no site, na seção “Mobile”, um endereço é mostrado para ser acessado via celular.
Acessando o site no celular, a pessoa deve entrar na opção “Realidade Aumentada”. É aí que aparece o código na tela do celular que deve posicionado em frente a webcam. Eis que surge o carro na tela do computador e pode ser manipulado em 3D pelo usuário através dos movimentos do celular.
Conforme Ismael Felipe Bohn, 25 anos, Diretor de Arte da Workroom, empresa que está atuando na campanha do Agile, as ações integradas fizeram com que mais pessoas fossem impactadas. “O diferencial do uso da realidade aumentada foi somada a viralização pelo próprio público através das redes sociais, antes mesmo das ações em 3D no hotsite.
O lançamento da campanha começou com o teaser “Agilize Aí” e visava estimular as pessoas a participarem de uma ação social, de forma viral, usando redes sociais como Orkut, Twitter, Facebook, etc., recolhendo doações que foram destinadas a instituições escolhidas pelo voto dos próprios participantes.
O que os usuários pensam disso tudo
A realidade aumenta proporciona uma experiência diferenciada ao público, em especial para as gerações mais novas que estão acostumadas com a ideia de inovação. “O uso dessa tecnologia para novos produtos causa um impacto positivo, além de posicionar a marca de uma forma diferenciada através de uma experiência mais interativa. Isso acaba fixando o produto na cabeça do target, unindo diversão, interatividade e recursos de dispositivos, tanto offline como online”, afirma Bohn. A visão do Diretor de Arte se confirma na prática.
O Arquiteto de Informação, Alisson Douglas da Silveira Pacheco, 22 anos, aprovou o jogo do hotsite do Agile. “Isso nos faz ter mais experiências integradas com o mobile. A maioria das pessoas desconhece essa tecnologia e, por isso, tem receio de interagir com ela ao se deparar com uma ação como a do Agile”, diz.
Pacheco acredita que no futuro a realidade aumentada fará parte do nosso cotidiano.“Tudo que está aparecendo até agora são testes de uma nova tecnologia. Com o tempo você não vai mais precisar imprimir um papel ou colocar o celular na frente do computador para ver os objetos em 3D, isso será feito pelas ruas, por exemplo. Já vi um case onde um programa de celular permitia que a pessoa, ao parar em frente de um prédio, obtinha todas as informações dos serviços que estavam lá dentro em 3D”, completa.
O futuro
O futuro da realidade aumentada é promissor não apenas para as agências de publicidade, mas para a melhora da nossa qualidade de vida. Em uma matéria feita sobre o assunto pelo Jornal O Globo, em junho, Steven Feiner, um dos pioneiros em pesquisa de realidade aumentada, estava fazendo experiências com a webcam acoplada a um óculos.
Daqui a algum tempo será possível usar o óculos como um GPS. A medicina também será beneficiada, estudos mostraram que a tecnologia pode ajudar no tratamento das varizes e na coleta de sangue. Vamos aguardar os próximos capítulos do uso do 3D no mundo real.



